Médicos criticam plano para revalidar diploma de estrangeiro

Entidades preparam manifesto contra flexibilização das regras para médicos formados no exterior

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2012 | 03h00

BRASÍLIA - Entidades médicas entregarão aos Ministérios da Saúde e da Educação um manifesto contra a revalidação automática de diplomas de Medicina obtidos em países estrangeiros. A intenção do governo de flexibilizar as regras para aprovar médicos formados no exterior foi divulgada ontem pelo Estado.

"Essas preocupações não são apenas de brasileiros, mas da comunidade médica internacional", disse o presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D'Avila. "Em qualquer país sério, um médico estrangeiro, antes de trabalhar, tem de passar por uma avaliação."

Batizado de Declaração de Florianópolis, o texto foi aprovado por representantes de 17 países que participaram, na semana passada, de um encontro e deve ser usado como argumento diante da decisão do governo de afrouxar as regras para facilitar a entrada, no País, de médicos formados em faculdades no exterior.

Entre as medidas avaliadas está a dispensa do exame de validação de diplomas, o Revalida, considerado obstáculo à entrada de profissionais de baixa qualidade no País. Na última edição, a taxa de aprovação ficou abaixo de 12%.

Uma das estratégias seria oferecer uma espécie de residência médica no serviço público e, após dois anos, dispensar o formando do exame. Alguns defende o fim da prova.

"A dispensa de um exame como este acaba abrindo uma perigosa brecha para a entrada de médicos de capacitação duvidosa para o País", afirma o médico Desiré Callegari, também integrante do CFM.

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