Médicos de Belo Horizonte cruzam os braços em protesto

Médicos que atendem pelo Serviço Único de Saúde (SUS) e por planos de saúde em Belo Horizonte aderiram nesta terça-feira, 23, à paralisação da categoria realizada em Minas e outros dez Estados, além do Distrito Federal. Na capital mineira, o protesto atingiu principalmente o atendimento em unidades municipais e os profissionais ainda fizeram uma manifestação em frente ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na região central da cidade. Segundo a Polícia Militar (PM), não houve registro de problemas.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

23 de julho de 2013 | 17h43

De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Fernando Mendonça, houve 100% de adesão à paralisação por parte dos profissionais que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e cerca de 70% de adesão nos postos de saúde. "Nas UPAs, deveria haver apenas atendimento de urgência, mas é comum ter todo tipo de consulta. Hoje (ontem), foi feito só o atendimento de urgência. Nos postos de saúde, houve transferência de procedimentos eletivos", disse.

A assessoria da Secretaria Municipal de Saúde disse que não poderia divulgar números oficiais da paralisação porque o balanço ainda precisava ser "aprovado" pelo secretário Marcelo Teixeira. Já a assessoria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirmou que os serviços prestados nas unidades gerenciadas pelo Estado não foram afetados, mas, segundo as entidades que representam os profissionais de Saúde, houve cancelamentos de procedimentos eletivos em algumas unidades e foram realizados apenas atendimentos de emergência no Centro Geral de Pediatria (CGP) e no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Segundo o Sinmed-MG, apenas na noite de ontem seria feita avaliação sobre a paralisação no interior de Minas, assim como em relação aos profissionais que atendem por meio de planos de Saúde.

Já estão previstas novas paralisações da categoria nos dias 30 e 31, quando serão realizadas novas assembleia dos médicos. Os profissionais protestam principalmente contra dois pontos do programa Mais Médicos do governo federal: a dispensa do Revalida, teste de avaliação para validar diplomas de médicos estrangeiros, e a obrigatoriedade de recém-formados trabalharem dois anos na saúde pública após concluírem os seis anos do curso de Medicina.

"Somos solidários às queixas da população, mas sabemos que não são apenas médicos que resolverão os problemas do atendimento. É preciso também investir pesado e ter uma gestão eficiente, moderna e transparente", informa carta assinada pelo Comitê Nacional de Mobilização das Entidades Médicas divulgada pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG).

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