Médicos do Rio protestam contra 'privatização da saúde'

Médicos e servidores do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na zona norte do Rio, promoveram na manhã desta quarta-feira uma manifestação contra o que chamam de "privatização da saúde pública". Cerca de cem pessoas se reuniram em frente ao hospital. A pista lateral da Avenida Brasil, no sentido centro, foi interditada por aproximadamente 20 minutos.

HELOISA ARUTH STURM, MARCELO GOMES E FÁBIO GRELLET, Agência Estado

26 de junho de 2013 | 19h34

Segundo Armindo Fernando, médico do HFB e diretor do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), a principal razão do ato foi protestar contra a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebeserh), criada para administrar a rede hospitalar federal. "O governo pretende contratar médicos apenas via CLT e acabar com os estatutários, que têm estabilidade, dão qualidade ao serviço e podem lutar por melhores condições de trabalho sem correr o risco de ser demitidos. Também somos contra essa emergência de lata que está há dois anos em funcionamento no HFB", explicou Fernando, referindo-se aos contêineres onde a emergência do hospital está funcionando enquanto as obras de reforma do prédio permanecem paradas.

De acordo com o médico Júlio Noronha, diretor jurídico do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, a categoria também protesta contra a vinda de médicos estrangeiros ao País e contra a gestão do ministro Alexandre Padilha à frente do Ministério da Saúde. "Para nós, ele é o responsável pelo caos na saúde no País. O Ministério da Saúde deixou hospitais à míngua, não só de recursos materiais, mas principalmente de recursos humanos".

Uma nova manifestação está marcada para esta sexta-feira, 28, às 14 horas, em frente à sede do Cremerj em Botafogo, zona sul do Rio.

Além da manifestação dos médicos, pelo menos outros quatro atos foram promovidos nesta quarta no Rio. Pela manhã, um grupo de aproximadamente 50 pessoas se reuniu na frente da sede da Secretaria Estadual de Segurança para protestar contra a operação promovida nesta terça, 25, pela Polícia Militar no Complexo da Maré, que resultou em dez mortes. A pasta funciona no mesmo prédio da Central do Brasil. Devido à aglomeração, o acesso principal à estação de metrô e trens foi fechado, mas não houve tumulto.

À tarde, moradores de Santa Cruz, na zona oeste, fizeram uma passeata que causou interdições no trânsito da região. Outro ato, contra o projeto da "cura gay", reuniu cerca de 30 pessoas no Largo da Carioca, no centro. Na zona norte também houve um protesto, promovido por moradores do morro dos Macacos. Temendo tumulto, comerciantes das imediações do Boulevard 28 de Setembro, na Vila Isabel, fecharam suas lojas por volta das 16h30. Mas não houve confusão.

Tudo o que sabemos sobre:
PROTESTOSMÉDICOSRIO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.