Médicos e dirigentes de hospitais de SP são presos

Acusados por fraude e desvio de R$ 2 milhões em Sorocaba e Itapevi, eles também podem ser responsáveis por mortes

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2011 | 00h00

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE) prendeu ontem 12 pessoas envolvidas em um esquema de fraudes em plantões médicos e compras irregulares em hospitais públicos do Estado.

Entre os presos estão o diretor do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), Heitor Consani, e os ex-diretores Ricardo Salim e Antonio Carlos Nasi, além de médicos, enfermeiros e dentistas. Após as prisões, a Secretaria Estadual de Saúde decretou intervenção no CHS.

Policiais da Delegacia Seccional de Sorocaba e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deram início à Operação Hipócrates - referência ao juramento feito pelos médicos -, às 6 horas, com 37 mandados de prisão e de busca e apreensão.

Em Sorocaba, a operação se concentrou na sede administrativa do CHS, que fica no Hospital Leonor Mendes de Barros. O segundo andar foi interditado para a apreensão de documentos e computadores. As buscas se estenderam a outros hospitais da capital e de Itapevi, além das casas de alguns suspeitos.

Segundo o delegado Wilson Negrão, de Sorocaba, as investigações começaram em outubro e foram motivadas por indícios de fraudes em licitações. Na análise dos documentos e em escutas autorizadas pela Justiça, verificou-se que médicos recebiam até R$ 600 por plantões de 12 horas não realizados. Alguns eram escalados para dar plantões em dois hospitais ao mesmo tempo. Havia funcionários fantasmas.

Os envolvidos também são acusados de comprar materiais sem licitação e de dirigir as compras. Eles responderão por peculato, formação de quadrilha, crimes em licitação, tráfico de influência e falsificação de documentos públicos e particulares.

Segundo o promotor Wellington Velloso, do Gaeco, o esquema pode ter desviado mais de R$ 2 milhões da saúde pública. Apenas em Sorocaba, ao menos 300 mil pacientes podem ter sido prejudicados pela falta de médicos em plantões. O caso é mais grave, diz Velloso, pois pacientes podem ter morrido por falta de atendimento. O promotor diz que o esquema agia desde 2008.

Advogados estiveram ontem na Delegacia Antissequestro de Sorocaba, que centralizou as investigações, em busca de documentos para entrar com pedidos de habeas corpus. Eles consideraram prematuro falar sobre o caso. A Secretaria de Saúde do Estado divulgaria nota sobre a ação.

O maior. O CHS é o maior hospital público da região e atende cerca de 2 milhões de pessoas de 48 cidades, mas enfrentava crise até março, quando o governo liberou R$ 60 milhões para reforma e ampliação das instalações.

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