Médicos fazem cirurgia sob luz de celular em Araçatuba

Médicos do Hospital da Mulher, de Araçatuba, tiveram de usar a luz de telefone celular para iluminar uma cirurgia de laqueadura. A energia elétrica do hospital acabou e uma falha no gerador, no início da cirurgia, impediu que o procedimento fosse realizado normalmente. O caso aconteceu na última quinta-feira (7) e está sendo apurado pelo Ministério Público Estadual. Em 2011, o centro cirúrgico do hospital foi interditado e a diretoria clínica teve de ser trocada depois que 16 bebês morreram.

CHICO SIQUEIRA, Agência Estado

12 de março de 2013 | 17h56

A dona de casa Carina Michele Bueno, 32 anos, disse que passou os 30 minutos mais assustadores de sua vida. Ela esperava pela laqueaura desde dezembro e havia passado por psicólogos e assistentes sociais. "A cirurgia estava marcada para as 11 horas da manhã, quando então fui levada para a sala de cirurgia", contou. "Mas logo em seguida, depois de ser anestesiada, a luz acabou e o médico não teve como parar o procedimento", contou.

Segundo Carina, assim que a energia acabou "o médico ficou nervoso, chamou algumas pessoas e pediu para que religassem a luz novamente porque se tratava de um procedimento de emergência", contou. Enquanto esperava pelo gerador, enfermeiras que acompanhavam a cirurgia ligaram seus telefones celulares e deixaram a porta da sala aberta, para aumentar a luz.

"Ela colocaram três celulares na minha barriga e depois de se acalmar e me pedir para ficar tranquila, ele (médico) começou a cirurgia", contou. "A bateria de um dos celulares ainda acabou, mas eles conseguiram fazer a operação", completou Carina. Segundo ela, a luz voltou logo após o procedimento ser concluído. "A cirurgia demorou entre 20 e 30 minutos, mas me deu muito medo", disse. Para Carina, o médico só continuou com a cirurgia porque pensava que a energia fosse restabelecida logo. "Acho que se ele soubesse que faltaria energia durante toda a cirurgia, ele teria adiado o procedimento, mas se isso ocorresse, não voltaria naquele hospital, não. E não quero voltar lá tão cedo", diz.

O medo de Carina se justifica. Em 2010, durante a crise do hospital, ela deu à luz seu filho no próprio quarto. "Não deu para ser levada para sala de cirurgia porque havia tantas mães esperando que meu filho teve de nascer no quarto mesmo", explicou.

Em nota, a Prefeitura de Araçatuba, que administra o hospital, informou que a queda de energia estava programada, mas que decidiu manter a agenda porque o gerador estava em funcionamento normal. Ao saber da falha, a prefeitura disse que mandou a CPFL religar o abastecimento. Segundo a Prefeitura, o gerador, que está quebrado foi mandado para o conserto.

Questionado sobre o assunto, o Ministério Público disse que devido ao fato de a paciente não ter sofrido qualquer dano, o caso, apesar de inusitado, está no contexto de uma ação civil pública ajuizada recentemente na qual pede a regularização de várias pendências constatadas no hospital.

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