Médicos fazem protesto no centro do Rio

Cerca de 200 médicos realizaram nesta quarta-feira um protesto no centro do Rio contra a intenção do governo federal de trazer médicos estrangeiros para atuar em cidades do interior sem a revalidação do diploma por universidades do Brasil. Os médicos também reclamam do que chamam de "privatização da saúde pública", com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para administrar a rede federal de estabelecimentos.

MARCELO GOMES, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 13h14

Com narizes de palhaço e faixas com dizeres como "Parto pelo SUS: R$ 150. Escova progressiva: R$ 300", os médicos se concentraram na Cinelândia e seguiram em passeata até o prédio da representação do Ministério da Saúde na capital fluminense, na Rua México. Depois, caminharam até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Rua Primeiro de Março.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio (SinmedRJ), Jorge Darze, diz que a falta de profissionais no interior do País pode ser resolvida com melhores remuneração e condições de trabalho. De acordo com Darze, a "importação" de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma por meio de exames "é criminosa e ilegal".

"A revalidação do diploma para quem cursa medicina no exterior é uma obrigação legal, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. É uma reciprocidade do Brasil, já que outros países exigem o mesmo. A proposta do governo é criminosa e ilegal. A população mais pobre, que é a mais dependente do SUS, não pode ser atendida por médicos cuja qualificação é desconhecida."

Segundo ele, atualmente, há cerca de 50 mil médicos em atividade no Estado do Rio. "O médico não vai para o interior porque não tem condições de trabalho e porque o salário não compensa. Para um plantão semanal de 24 horas, o governo estadual paga R$ 200 de remuneração básica. Com as gratificações, o salário chega a R$ 1.300. Será que os estrangeiros vão aceitar trabalhar no interior, nas atuais condições e com esse salário? A solução para esse problema é a transformação da profissão de médico em carreira de Estado, como na Justiça e no Ministério Público (MP). Por que não falta juiz e promotor no interior?"

A presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, defendeu a atualização do valor da gratificação paga aos médicos pela administração federal, que, conforme ela, foi prometida há um ano. "Também somos contra a privatização da saúde. Em nível federal, com a Ebserh. Nos Estados e municípios, com a transferência das unidades de saúde para as organizações sociais (OSs). A iniciativa privada visa ao lucro, e não ao bem-estar social." Rosa criticou ainda a "importação" de médicos estrangeiros sem revalidação do diploma. "Em qualquer país, médicos estrangeiros precisam fazer uma prova. Por que no Brasil vai ser diferente? Será que é porque esses estrangeiros só vão atender os pobres?"

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