Médicos questionam documento da Anvisa

Médicos especializados no tratamento da obesidade contestam o relatório que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) usou para fundamentar a proposta de retirada do mercado das drogas usadas para emagrecer. Para eles, os dados foram usados de maneira a favorecer a proibição dos remédios.

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Segundo os especialistas, a Anvisa analisou praticamente os mesmos estudos avaliados em 2010 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) para atualizar as diretrizes de tratamento dos obesos.

"O documento é muito convincente para quem não é da área. Eles usaram os resultados de acordo com o que queriam. Nós analisamos os mesmos estudos e entendemos de maneira diferente", diz Rosana Radominski, presidente da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade.

Segundo Ricardo Meirelles, presidente da Sbem, o relatório da Anvisa inclui citações de livros. "E livros são a opinião do autor. Não são trabalhos científicos. Só por isso considero o relatório frágil", afirma.

Márcio Mancini, responsável pelo ambulatório de obesidade do HC, diz que o teor do relatório "deu uma desanimada". "Fizemos um grande esforço para atualizar as diretrizes, mas não serviu para nada. Aparentemente, os técnicos procuraram destacar apenas os dados negativos dos trabalhos. Deu uma desanimada, porque tudo indica que a decisão já está tomada", diz.

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