Médicos recomendam mais atividade física para crianças

Os médicos podem, em breve, ter uma receita para a saúde que agradará até mesmo às crianças: mais tempo para brincar. Especialistas de saúde estão recomendando que os padrões de atividade física para crianças entre 5 e 16 anos sejam prolongados de uma hora por dia para uma hora e meia. Para alguns pais, isso pode ser alcançado simplesmente mostrando aos seus filhos a porta da rua. "Apenas se assegurar de que as crianças brinquem fora de casa vai dobrar a quantidade de atividade física", disse Lars Bo Andersen, principal autor do estudo publicado nesta sexta-feira na revista The Lancet.Preocupados com as falhas nos estudos anteriores sobre a atividade física de crianças, Andersen e seus colegas se organizaram para examinar a correlação entre a atividade física e os principais fatores de risco conhecidos para doenças cardíacas e diabetes. O estudo considerou 1.732 crianças de 9 e 15 anos da Dinamarca, Estônia e Portugal. A atividade física foi monitorada por quatro dias consecutivos, com aparelhos presos às crianças, que monitoravam as acelerações nos movimentos do corpo.Como o primeiro estudo a medir a atividade de crianças de maneira objetiva, sem se basear em questionários subjetivos respondidos por elas, a pesquisa de Andersen pode levar à reconsideração dos padrões de atividade física.Apesar das diferenças entre os três países nos quais as crianças foram monitoradas, o impacto positivo da educação física foi consistentemente demonstrado. Os critérios incluíram pressão sangüínea, níveis de insulina e colesterol.O estudo também descobriu que os benefícios da atividade física foram aplicáveis a todas as crianças - e não apenas as obesas, normalmente consideradas como de maior risco.Enquanto tem-se prestado muita atenção na piora dos hábitos alimentares das crianças, o estudo de Andersen pede para que a mesma importância seja dada para a atividade física.Porém, os pais não devem levar isso como motivo para uma mudança radical na rotina de seus filhos. "Não precisamos levar as crianças a academias para correr em esteiras", disse Nick Cavill, um associado de pesquisa no Departamento de Saúde Pública da Universidade de Oxford. "Nós precisamos encorajá-las a brincar". Um das principais descobertas do estudo, ele explicou, é que ele prova a utilidade de curtos períodos de atividade intensa, ao invés da necessidade de exercício continuo.Os pesquisadores disseram que a atividade física não demanda esforço intenso, como jogar futebol ou tênis. "Há valor em turnos de cinco e dez minutos de atividade, em que as crianças vão correr por um tempo e depois parar", disse Cavill.

Agencia Estado,

20 de julho de 2006 | 20h02

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