Médicos vão às ruas de Recife contra 'estrangeiros'

Em Recife, cerca de 700 pessoas, entre médicos e estudantes de medicina, participaram, na tarde desta quarta-feira, de uma manifestação contra a proposta do governo federal de contratar médicos estrangeiros e por melhorias na área da Saúde Pública.

MONICA BERNARDES, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 17h48

A concentração começou por volta das 14h, na Praça do Derby, na área central, e seguiu pela Avenida Agamenon Magalhães, uma das principais vias de circulação, que liga as zonas norte e sul da cidade. Horas antes, um grupo com cerca de 50 profissionais esteve no Hemocentro estadual, onde doou sangue. Durante todo o dia, os atendimentos eletivos nas unidades municipais e estaduais foram suspensos. Apenas os serviços de urgência e emergência foram mantidos. A expectativa é de que a paralisação siga até a manhã desta quinta-feira, 4.

Por volta das 15h30, os médicos e estudantes de medicina tomaram as duas vias da avenida, na altura do Hospital da Restauração, a maior unidade de saúde pública do Estado. No local, receberam o apoio de profissionais de plantão, pacientes, acompanhantes e moradores da região. Dezenas de lençóis brancos foram pendurados nas janelas do hospital e de prédios residenciais próximos.

Com faixas e cartazes, os médicos reivindicavam melhores condições de trabalho, planos de cargos de carreira para profissionais da saúde e 10% do PIB (Produto Interno Bruto) em investimentos na saúde. Além disso, criticaram a isenção do Revalida para médicos estrangeiros, proposta pelo governo federal.

A médica pediatra Ana Patrícia Cintra reclamou da proposta de trazer médicos estrangeiros para o País. "Estamos acostumados a tratar pacientes que são muito humildes e muitas vezes têm dificuldades para entender o que nós, que falamos português perfeitamente, explicamos. Imagine como uma mãe do interior, simples, sem muita instrução, vai conseguir explicar ou entender o que fala um médico estrangeiro? Isso sem falar na questão da segurança de que este profissional, sem passar pelo Revalida, estará apto a clinicar no Brasil", argumentou.

O presidente do Simepe, Mário Jorge Lobo, defendeu as manifestações como sendo "necessárias" para mostrar a preocupação da categoria com a qualidade da Saúde Pública no País. "Queremos mais investimentos na Saúde. Brigamos para poder atender a população de uma maneira melhor. E é claro que estamos preocupados com essa proposta de trazer para cuidar da nossa gente, profissionais estrangeiros, sem que eles passem pelo Revalida", destacou.

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