Medo de cobras pode ter impulsionado evolução humana

A capacidade de identificar cobras venenosas pode ter desempenhado um papel fundamental na evolução de macacos e seres humanos, de acordo com uma nova hipótese sugerida pela antropóloga Lynne Isbell, e publicada na edição de julho do periódico Journal of Human Evolution.Primatas têm boa visão, cérebros grandes e mãos e pés capazes de agarrar e segurar objetos. Eles usam a visão para orientar os atos de alcançar e segurar. Cientistas acreditam que essas características evoluíram juntas conforme os primatas primitivos usavam mãos e olhos para pegar frutas, insetos e outras presas pequenas, ou para examinar alimentos de perto.Já Isbell sugere que, em vez disso, os primatas evoluíram uma boa visão de perto para evitar um perigoso predador: a cobra. "Cobras são o único predador que você precisa ver de perto. Se ela está longe, não é um problema", disse Isbell.Estudos neurológicos, o pesquisador argumenta, mostram que a estrutura do sistema visual do cérebro não se encaixa muito bem na idéia de que a visão evoluiu junto com os gestos de alcançar e segurar. Mas o sistema visual parece estar bem conectado ao "módulo do medo", estruturas do cérebro envolvidas na vigilância, medo e aprendizado.Evidências em fósseis e DNA sugerem que as serpentes foram o primeiro predador a apresentar perigo grave para os mamíferos modernos, que evoluíram a cerca de 100 milhões de anos atrás. Fósseis de cobras com boca grande o suficiente para comer esses mamíferos aparecem quase ao mesmo tempo. Outros animais que poderiam ter devorado nossos ancestrais, como leões ou águias, evoluíram muito depois."Há uma corrida armamentista evolucionária entre predador e presa. Primatas ficam melhores em ver e evitar cobras, então as cobras ficam melhores em se esconder, ou mais venenosas, e os primatas reagem a isso", explica Isbell.Primatas que sofreram menos ameaça por parte das cobras parecem ter sentido menos pressão evolutiva para enxergar melhor. Os lêmures de Madagáscar não têm cobras no ambiente, e em termos evolutivos "estacionaram", segundo Isbell.

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