Medo de surto de meningite provoca demissões em MG

O medo de um surto de meningite tipo C, o mais perigoso deles, levou 300 funcionários terceirizados que trabalhavam em uma obra da Gerdau Açominas em Ouro Branco (MG) a pedirem demissão. Dois operários já tiveram a doença confirmada, sendo que um deles, de 19 anos, morreu na última sexta-feira, 14. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, pelo menos outros 17 trabalhadores estão internados com sintomas da doença, todos isolados. Um deles chegou a ser levado para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), mas já voltou para o quarto.

BELO HORIZONTE, Agência Estado

18 de outubro de 2011 | 18h50

Até a tarde de hoje, ainda não havia sido divulgado o resultado dos exames realizados pela Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, nos outros operários que estão internados. Em agosto, duas pessoas já haviam morrido vítimas da doença na cidade. No Estado, desde o início do ano, já foram notificados 792 casos de meningite, com 117 mortes.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Conselheiro Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco, 1,2 mil trabalhadores, a maioria recrutada em Estados do Nordeste, dormiam nos alojamentos junto com os operários que tiveram a doença confirmada ou apresentaram sintomas. Eles foram contratados pela Paranasa Engenharia e Comércio para trabalhar na expansão de uma usina da Gerdau no município.

O sindicato estima que pelo menos outros 200 trabalhadores, que têm salário de cerca de R$ 1 mil, devem pedir demissão por medo da doença. Todos os casos confirmados e suspeitos estavam no mesmo alojamento. "Essas ocorrências começaram na sexta-feira. Foram 12 casos na sexta-feira, cinco casos no sábado, dois casos no domingo e dois casos na segunda-feira. A gente analisou e investigou 19 casos. Desses, dois casos foram confirmados até o momento", afirmou o secretário municipal de Saúde de Ouro Branco, Hideraldo Belini.

Em nota, a Paranasa informou que forneceu preventivamente medicamentos a todos os operários da obra e que vem trabalhando junto com as autoridades sanitárias do município para evitar a propagação da meningite. A empresa afirmou também que os alojamentos estão dentro das normas sanitárias exigidas pela lei. Informou ainda que está fazendo o acerto rescisório com todos os trabalhadores que querem deixar a obra e vai disponibilizar alimentação e transporte para suas cidades de origem.

Belini disse que, além dos operários da Paranasa, o município e as empresas decidiram também fornecer medicamentos a todos os prestadores de serviço que tiveram contato com os alojamentos, como funcionários de limpeza, os que forneciam alimentação e aqueles responsáveis por troca das roupas de cama, por exemplo. "Estavam trabalhando no ambiente. Os que tiveram contato mais próximo tomaram um antibiótico mais forte e os que tiveram contato menor tomaram antibiótico que a gente chama de segundo nível", salientou o secretário. "A tomada de ação foi muito rápida. Foi o que inibiu que a gente tivesse uma situação de maior gravidade. Aí os casos foram reduzindo. O quadro no momento é de extrema tranquilidade", acrescentou.

Também em nota, a Gerdau lamentou a morte do trabalhador na última sexta-feira e afirmou que está trabalhando junto com as autoridades sanitárias de Minas para dar assistência aos dois operários que tiveram a doença confirmada, bem como para evitar a propagação da meningite. A empresa afirmou ainda que as operações da empresa não foram afetadas e que os trabalhadores estão sendo informados "com clareza sobre todas as medidas" adotadas para impedir novos casos e que estão "tranquilos". Segundo a assessoria da empresa, a produção ainda não foi afetada.

A meningite meningocócica é uma infecção bacteriana das meninges, membranas do sistema nervoso central. Os principais sintomas da doença meningocócica são febre, mal estar, desânimo, dores de cabeça fortes e frio nas extremidades do corpo como mãos e pés, mas os pacientes também podem ter sintomas mais graves como convulsões, bolhas na pele e hemorragias.

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