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Meio século após feito de Gagarin, fim do mistério

No 50º aniversário do primeiro voo tripulado ao espaço, que fez do soviético Yuri Gagarin um herói, Rússia libera documentos secretos confirmando que sua morte, em 1968, foi mesmo acidental

, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

MOSCOU

Seu voo de 108 minutos no espaço há 50 anos marcou um novo horizonte para a humanidade e da noite para o dia transformou um piloto de origem camponesa chamado Yuri Gagarin em herói. Meio século após seu feito ter incentivado a corrida espacial entre a União Soviética e os EUA, a Rússia liberou documentos secretos que desmentem rumores de que a morte do cosmonauta - sete anos após o histórico voo, num acidente com o caça que pilotava - teria sido obra de um complô do regime soviético.

As mais de 700 páginas de documentos confidenciais mostram inicialmente a breve conversa com o pai do programa espacial soviético, Sergei Korolev, que tentava acalmar os nervos do cosmonauta, que na época tinha 27 anos. "O importante é que temos salsichão para acompanhar aguardente", brincou Gagarin pouco antes de a cápsula Vostok ser lançada ao espaço em 12 de abril de 1961.

Gagarin ainda teve tempo de rir dos nervosos técnicos que o acompanharam até o interior da Vostok quando, por causa de uma falha hermética, tiveram de retirar e colocar cada um dos 32 parafusos que selavam a escotilha. Logo em seguida, Gagarin deu início à sua aventura a 320 km de altura. Ainda em órbita, pronunciou a famosa frase: "A Terra é azul".

Para celebrar a data, a Estação Espacial Internacional (ISS) veiculará via rádio a lendária transmissão de Gagarin durante o voo da Vostok. O vídeo e o áudio do lançamento de Gagarin ao espaço será disponibilizado para download hoje no YouTube.

Missão. Os 19 candidatos selecionados para o voo da Vostok-1 eram pilotos de teste e magros o suficiente para caber na pequena cápsula. A origem humilde da Gagarin pode ter ajudado na escolha. Nascido num vilarejo a 150 km de Moscou, seu pai era carpinteiro e sua mãe, ama de leite.

Nem todos acreditavam no sucesso do voo e na recuperação do cosmonauta após a viagem. O próprio Gagarin, consciente do risco da gravidade zero, escreveu uma carta à sua mulher, na qual dava permissão para casar-se novamente.

A morte de Gagarin em voo de treinamento num caça MiG, em 1968, levantou suspeitas na época. Uma das hipóteses era de que ele tenha sido assassinado por ordem do líder soviético Leonid Brezhnev, após acusação de deslealdade ao partido.

Aleksandr Stepanov, chefe dos arquivos do Kremlin, pôs fim ao mistério: no último dia 8, ele leu trechos da investigação do governo soviético, até agora mantida em segredo, confirmando que a causa mais provável do acidente foi "uma brusca manobra (do caça) para evitar uma sonda atmosférica". / REUTERS E AP

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