Meirelles: ''Dubai serve de alerta''

Presidente do BC diz a empresários que o mercado norte-americano ainda deve reagir ao calote nos Emirados

Francisco Carlos de Assis, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mostrou-se, mais uma vez, realista em relação aos efeitos que o pedido de moratória da dívida da empresa Dubai World, maior conglomerado estatal de Dubai, podem acarretar para a economia mundial. A despeito de os mercados domésticos terem reagido bem na sexta-feira, ele acredita que o alerta está dado.

O dólar fechou com queda de 0,40%, cotado a R$ 1,743 e o Ibovespa subiu 1,04% para 67.082,15 pontos. A reação do mercado interno parece não ter empolgado o presidente do BC.

Ele lembrou ontem que, em função do dia de Ação de Graças, o mercado financeiro não funcionou em tempo integral nos EUA na sexta-feira, e que é preciso aguardar como as bolsas americanas vão se comportar amanhã.

"Vamos aguardar como vai reagir o mercado norte-americano. Mas, independentemente disso, a situação serve como alerta de que temos problemas à frente e devemos evitar excesso de exuberância", ressaltou.

Meirelles reforçou ainda que "o ensaio que não vemos ainda é qual será a consequência de Dubai. É o que temos alertado: a recuperação da economia mundial tem muitas incertezas." Segundo ele, o sistema financeiro mundial não absorveu todas as perdas que possivelmente terá no decorrer deste processo.

O presidente do BC fez questão de separar os eventos de curto dos de longo prazo. Meirelles fez esta separação ao ser perguntado se estaria dormindo bem à noite com o atual nível da cotação do dólar, em desvalorização diante do real.

"São duas questões bastantes diferentes. Uma é a questão de curto prazo e a outra é estratégica, de longo prazo", disse. A questão de curto prazo, na avaliação de Meirelles, está relacionada a todos os governos e bancos centrais do mundo, que se preocupam em evitar a formação de bolhas nos diversos preços de ativos em função da alta liquidez do dólar gerada pelas políticas monetária e fiscal americana.

E isso, de acordo com Meirelles, tem levado o mundo todo a ter de lidar com a situação de duas formas. Em primeiro lugar, é evitar distorções na formação de preços e, em segundo, impedir que a exuberância excessiva possa levar a reações excessivas e momentos de correções. Para o longo prazo, Meirelles acredita que o Brasil precisa começar a discutir qual é de fato seu modelo exportador.

O presidente do BC participou da abertura da 32ª edição do prêmio Líderes Empresariais, no World Trade Center, em São Paulo. O fórum, presidido por Ozires Silva, reúne 1,2 mil empresários e tem como finalidade homenagear os 182 empresários que mais se destacaram no cenário econômico.

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