Meirelles nega hipótese de bolha no crédito

Presidente do Banco Central previu ainda que 'o País terá um excelente Natal e tem perspectiva muito boa para o ano que vem'

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, previu ontem "um excelente Natal para o Brasil", estimulado pelo crédito e pela renda. "E tem perspectiva muito boa para o ano que vem", disse, mencionando as projeções de expansão em torno de 5% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Ele participou da cerimônia de posse da nova diretoria da seção no Distrito Federal do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.

Meirelles afirmou que a situação do crédito no Brasil é positiva e descartou a existência de uma bolha. Para ele, apesar de ter aumentado muito nos últimos anos, ainda há muito espaço para o crédito crescer. A razão, disse ele, é que a relação crédito/PIB está bem abaixo da de muitos países asiáticos e latino-americanos. Meirelles destacou também a tendência de queda dos juros dos bancos, o que favorece a expansão do crédito.

Ainda assim, ele lembrou da importância de ficar atento à qualidade do crédito. "O que o BC tem de alertar sempre é que os critérios de concessão de crédito obedeçam a padrões de riscos sólidos e que os bancos emprestem para empresas ou pessoas em volumes que elas tenham condições de pagar."

Meirelles também afirmou que o Brasil não enfrentou uma crise bancária clássica, em que ocorre a quebra de bancos. Segundo ele, o que ocorreu foi uma "severa restrição de liquidez", que afetou especialmente bancos de menor porte, mas foi enfrentada rapidamente pelo governo. "As medidas ajudaram a voltar a liquidez e fizeram o sistema se organizar naturalmente."

Em seguida, falou do impacto positivo das ações emergenciais do BC, que criaram as condições para o governo adotar medidas fiscais de estímulo à economia.

Meirelles abordou as declarações do ex-diretor de Política Monetária do BC Mário Torós ao jornal Valor - da corrida bancária que colocou o Banco do Brasil como emprestador de última instância no sistema financeiro. Segundo o presidente do BC, a atuação bem-sucedida do governo na crise só foi possível porque o País nos últimos anos teve uma gestão financeira do Estado adequada e prudente.

Às escuras

O presidente do BC, Henrique Meirelles, teve de lidar com um apagão durante discurso em evento em Brasília. A queda de energia foi bem na hora em que Meirelles falava sobre o impacto da crise no sistema bancário brasileiro. Mesmo sem microfone, Meirelles continuou o discurso e brincou que não poderia parar exatamente na hora em que falava sobre crise bancária. O apagão durou cerca de 20 minutos.

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