Meirelles rebate crítica à política econômica

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que há pouco espaço para mudança na atual política econômica. "O campo para inflexão da política econômica está cada vez mais restrito porque a estabilidade passou a ser um valor incorporado à sociedade brasileira", disse Meirelles.

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

01 Dezembro 2009 | 00h00

A declaração é um recado claro aos críticos da política econômica do governo, especialmente ao governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, que sempre ataca as taxas de juros, o câmbio e a política fiscal de Lula.

A afirmação de Meirelles foi feita na cerimônia de posse do novo diretor de Política Monetária, Aldo Luiz Mendes, que defendeu medidas para acelerar a queda dos juros ao consumidor. Segundo Mendes, é possível trabalhar com medidas para acelerar a queda nos spreads bancários - a diferença entre a taxa de juros paga pelos bancos para captar recursos e a que eles cobram do consumidor.

Em dois eventos realizados ontem, um em São Paulo e outro em Brasília, Meirelles rebateu as críticas de que o governo poderia aproveitar o momento para adotar mudanças mais rápidas na economia, como a redução acelerada dos juros. Meirelles, porém, argumentou que o espaço para alterações é reduzido, pois há o compromisso do Estado com a manutenção do equilíbrio financeiro, o crescimento econômico e o desenvolvimento social.

O discurso de Meirelles ressalta que uma política fiscal consistente, o controle da inflação e a melhora das contas externas permitiram reduzir o juro real. Nessas condições, a economia passou a crescer a taxas mais altas e regulares nos últimos anos, sendo possível adotar políticas sociais mais abrangentes. Ou seja, na visão de Meirelles, a estratégia permitiu conciliar crescimento e distribuição de renda.

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