Meirelles sinaliza que, mesmo filiado, seguiria no BC

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira que ainda não decidiu se vai se candidatar a algum cargo nas eleições de 2010 e sinalizou que, mesmo filiado a algum partido, poderá ficar no cargo até março.

FERNANDO EXMAN, REUTERS

05 Agosto 2009 | 16h13

Este é o prazo legal para a desincompatibilização de membros do Executivo que concorrerão a algum cargo eletivo. A filiação a algum partido ocorre antes, precisa ser feita até um ano antes do pleito.

"Não tem nenhuma decisão ainda se serei ou não filiado a algum partido e, caso filie-me a algum partido, se serei ou não candidato a algum cargo eletivo", disse a jornalistas após audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em que ouviu vários pedidos de senadores para que dispute um cargo político.

Meirelles é cotado, principalmente, para disputar o governo de Goiás ou uma cadeira no Senado por aquele Estado.

Questionado se considera aceitável um presidente de banco central ser filiado a algum partido político, Meirelles respondeu de forma positiva, mas fez algumas ponderações.

"Existem diversos presidentes de banco central no mundo inteiro que são filiados a partidos políticos", disse, acrescentando que há exemplos também de presidentes de bancos centrais que seguiram carreira política. Ele argumentou que essa opção, se tomada depois de deixar o cargo, não prejudica a gestão da instituição.

"Enquanto presidente do Banco Central, independentemente de qualquer decisão de carreira futura, seja na vida política, seja no setor privado ou no setor público por via não eleitoral e seja até que data for, eu estarei certamente e completamente dedicado e focado no Banco Central do Brasil" disse.

OTIMISMO EXCESSIVO

Também questionado se a indefinição sobre seu futuro não gera instabilidade nos mercados, Meirelles respondeu que uma das características da atual gestão no BC é que qualquer decisão é tomada "na hora certa, sem precipitação".

"Isso, sim, transmite segurança, transmite previsibilidade. Atitudes impensadas não são boas para ninguém."

Na CAE, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que "é muito favorável" que Meirelles dispute as eleições. Em seguida, a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) afirmou o desejo "mais do que nunca" de ter Meirelles à frente da disputa pelo governo de Goiás.

Em 2002, Meirelles, então filiado ao PSDB, foi o candidato à Câmara dos Deputados mais votado em Goiás. Deixou o partido para assumir o comando do BC.

Durante a audiência, o presidente do BC alertou contra o excesso de otimismo dos mercados financeiros, apesar de avaliar que a economia brasileira está se recuperando.

"O Brasil hoje de fato é uma destinação prioritária mundial. O Brasil hoje no mundo é uma estrela do ponto de vista de perspectiva econômica", disse.

"De um lado, isso é muito positivo, mas exageros de precificação não só causam prejuízos aos investidores, que exageram nessa precificação, como causam também prejuízos ao país e à volatilidade... Pé no chão é útil para todos, inclusive para investidores."

Para ele, o Brasil deve entrar no ano de 2010 em uma trajetória de investimento sólido e sustentado, que persistirá pelos próximos anos".

"Mas o dado concreto é que, às vezes, é nossa função acautelar os mercados contra excessos de otimismo e euforia que podem levar a distorções na formação de preços e, portanto, a uma volatilidade desnecessária."

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