Membro do MMA antevê derrota e diz que conta não é só do governo

"É bem provável que o governo saia derrotado em parte das propostas que fez para o projeto do Código Florestal, mas isso é parte da democracia", disse ontem a representante do Ministério do Meio Ambiente no 2.º Seminário Internacional Brics Policy Center, Samyra Crespo. Para ela, há no País "uma coisa autoritária de achar que um presidente pode baixar um veto e resolver por meio de uma vontade pessoal uma coisa que a sociedade não está conseguindo resolver".

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2012 | 03h07

Antevendo a derrota na votação, Samyra afirmou que "a conta não é só do governo". "Primeiro, porque quem vota naqueles fulanos somos nós. Segundo, é verdade que os ruralistas têm enorme poder político e econômico. Somos um País exportador de commodities, e eles têm um lobby vigoroso."

Secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, ela defendeu a proposta do Senado. "Nada menos que isso atenderá." Após um comentário do professor de Direito Ambiental Fernando Walcacer sobre o fato de não ter sido criada nenhuma unidade de conservação no atual governo, Samyra criticou a gestão da ex-ministra Marina Silva. "Marina esteve completamente errada em sua estratégia, numa postura contra tudo e contra todos. Não acho que o Ministério do Meio Ambiente deva ser uma ONG. Quem não tem vocação de ser governo que vá para o terceiro setor."

Sobre a criação de unidades, ela disse que houve uma orientação da presidente Dilma Rousseff para que fosse feita uma revisão de conflitos não resolvidos. "Temos 20 processos em andamento e novas unidade serão anunciadas na Semana do Meio Ambiente."

O economista Sérgio Besserman, presidente do grupo de trabalho para a Rio+20 da prefeitura do Rio, classificou no debate como "profundamente infeliz" comentário recente do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o desenvolvimento sustentável - de que o Brasil "foi um dos únicos países que colocaram isso em prática". Besserman defendeu a criação de mecanismos para precificar o custo das emissões de gases-estufa.

Para José Eli da Veiga, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, um dos pontos em que pode haver consenso na Rio+20 são os objetivos do desenvolvimento sustentável. Outro é a inclusão de uma declaração contra subsídios para energias fósseis. Para o sociólogo, analista político e jornalista Sérgio Abranches, o Brasil "está na defensiva" e "vai ter de assumir a liderança das negociações ou ser cobrado pelo fracasso."

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