Membros de missões da FAB arriscam a vida para ajudar populações pobres

As missões do Correio Aéreo Nacional da Força Aérea Brasileira (FAB) são, quase sempre, o último recurso para a sobrevivência de populações esquecidas nos confins da Amazônia. Desde 2004, quando foram retomadas, as equipes atendem municípios com graves carências em saúde pública e terminam contabilizando vidas que são salvas. Mas médicos e tripulação muitas vezes dependem da sorte para salvar a própria vida de riscos como as condições instáveis do clima e a falta de estrutura das pistas de pouso.

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2009 | 00h00

Em maio deste ano, a reportagem do Estado acompanhou a missão que atendeu 1.200 pessoas em Nova Olinda do Norte, Tapauá,Apuí e Camutama, no sul e sudeste do Amazonas. Em Camutama, a 619 km de Manaus, a equipe da FAB tomou um susto. Quando o Caravan fez a aproximação e se preparava para pousar, o piloto observou que a pista estava repleta de urubus. A razão era um lixão instalado bem na beira do asfalto. O tenente-aviador Renato Guimarães precisou fazer uma manobra complicada para conseguir pousar. Não havia ninguém esperando pela equipe, apesar de toda a correspondência trocada com a prefeitura.

Na cidade de Tapauá, o piloto do Caravan também enfrentou problemas com urubus. O município não tem depósito de lixo e o material é espalhado ao longo de uma estrada. Há ainda as chuvas repentinas, típicas da região amazônica, que muitas vezes deixam as pistas de pouso alagadas, como aconteceu em Nova Olinda. Pior que isso são as queimadas em que a fumaça encobre o local do pouso. Os pilotos consideram o Caravan ideal para essas missões por causa da versatilidade do avião.

Além da tripulação e dos médicos, os aviões dispõem de espaço para as dezenas de caixas com equipamentos básicos e medicamentos usados no atendimento e entregues à população. Em alguns lugares, a missão é recebida com festa. Foi o que ocorreu em Tapauá. Em 2008, o município registrou 4.300 casos de malária. Mesmo cidades com melhor condição econômica, como Apuí, carecem de estrutura de saúde. Ali, a única ambulância não tinha maca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.