Menina de 4 anos morre após tomar penicilina no Rio

A polícia investiga se a morte da menina Jéssica Rocha de Oliveira, de 4 anos, foi causada por uma injeção de penicilina vencida, que teria sido aplicada no Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Outra criança, de 9 meses, tomou o mesmo remédio, que venceu em janeiro, e continua internada na unidade com os mesmo sintomas apresentados por Jéssica. A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) informou que não encontrou medicamentos vencidos no almoxarifado do hospital e que abriu uma sindicância para apurar o caso. "Não existe nenhum indício disso (intoxicação por substâncias vencidas). Não existe na Central Geral de Almoxarifado (que coordena a distribuição de remédios) sequer o lote deste medicamento, não existe nenhum medicamento vencido", disse o secretário Sérgio Côrtes.Segundo Côrtes, o que a sindicância apura é se, dentro dos estabelecimentos, como no passado tudo era descentralizado e cada hospital comprava à própria maneira, existia algum remédio fora da validade. Jéssica morreu ontem à noite, depois de ser internada com inchaço e rigidez no corpo. No sábado, ela tinha estado na emergência do hospital, tomado uma injeção de penicilina e sido liberada. A menina, que era portadora de síndrome de Down, tinha uma cardiopatia e sofria de arritmia. "No domingo, ela estava bem, mas, no fim do dia, começou a gemer e dormiu. No dia seguinte, levei-a ao hospital e ela foi internada já muito inchada e com o corpo duro, disse a dona de casa Jéssica Rocha de Oliveira, mãe da menina. Um bebê de 9 meses também está internado no hospital sob a mesma suspeita. Ele tomou duas injeções do antibiótico do lote LT19076, que estava vencido desde janeiro. A mãe do menino, Elizabeth José Guedes, entregou à 36ª Delegacia de Polícia (DP), que investiga o caso, duas ampolas que recebeu no hospital e que estavam vencidas. "Meu filho continua internado, o caso dele é grave, está todo inchado por causa dessa irresponsabilidade de darem medicamento fora da validade", acusa.O supervisor da Sesdec, Carlos Édson Martins, afirmou que o bebê não apresenta quadro de reação de medicamentos e que continua internado por causa de encefalite (inflamação no encéfalo). As ampolas vencidas serão periciadas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, e o Instituto Médico Legal (IML) faz a necropsia no corpo de Jéssica para determinar se a morte dela se deveu ao uso do remédio.

FABIANA CIMIERI, Agencia Estado

28 de fevereiro de 2008 | 18h52

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