Menino em orfanato é filho de refém das Farc, indica DNA

Garoto de três anos seria Emmanuel; Resultado de exame ainda será confirmado.

Claudia Jardim, BBC

04 de janeiro de 2008 | 19h00

Um exame de DNA de um menino encontrado em um orfanato de Bogotá indica que ele é provavelmente Emmanuel, filho nascido em cativeiro de Clara Rojas, uma refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na segunda-feira, enquanto se aguardava que as Farc divulgassem as coordenadas do local onde seriam libertados Clara, Emmanuel e a ex-congressista Consuelo Perdomo - em uma operação que depois fracassou -, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, levantou a hipótese de que o atraso em libertar os reféns se devia ao fato de o menino não estar em poder dos rebeldes. As conclusões do teste que comparou o DNA do garoto registrado como Juan David Gómez com o de parentes de Clara confirmam a hipótese de Uribe. "Os resultados mostram detalhes comuns específicos que permitem afirmar que Juan David Gómez pertence à família de Clara González de Rojas (avó materna). Cientificamente não é 100% seguro", afirmou nesta sexta-feira o procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán Arana. A procuradoria colombiana afirmou que será realizado um novo exame em Santiago de Compostela, na Espanha, para confirmar os resultados. "Algo estranho"Analistas afirmam que esse resultado do teste pode ser visto como uma vitória de Uribe sobre a guerrilha e deixaria as Farc em uma situação de descrédito. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para quem a guerrilha prometeu entregar os reféns, afirmou no domingo que, se a hipótese de Uribe fosse verdadeira, seria "uma demonstração de manipulação das Farc, que ficarão mal com todo o mundo". Também nesta sexta-feira, o chanceler da Venezuela, Nicolas Maduro, anunciou que o governo da Colômbia se negou a cumprir um acordo estabelecido no qual ambos governos coletariam material genético para realizar o teste de DNA. "Há algo estranho nesta situação (...) dá a impressão que há uma campanha política para impor uma verdade", disse Maduro em entrevista telefônica ao canal de televisão estatal. O caso Emmanuel se complicou nos últimos dias, quando José Gómez, que se identificou no orfanato como pai do menino, afirmou à procuradoria que a criança havia sido entregue a seus cuidados pela guerrilha. Emmanuel, de pouco mais de três anos, teria nascido de uma relação de Clara Rojas com um guerrilheiro.Fim do resgateNo domingo, as Farc acusaram o governo colombiano de aumentar as operações militares do Exército para impedir a movimentação do grupo guerrilheiro na selva. Os rebeldes alegam que foi por isso que a libertação dos três reféns não poderia ser realizada. Uribe desmentiu as acusações. No entanto, nesta terça-feira, o Exército colombiano admitiu ter realizado operações militares na região em que poderiam ser entregues os reféns, resultando na morte de um guerrilheiro.Chávez, que responsabilizou a Uribe por "dinamitar" o resgate, anunciou que poderia usar "métodos clandestinos" para recuperar os três reféns. Os reféns que seriam libertados pela guerrilha são parte de um grupo de 45 seqüestrados que seriam trocados por 500 guerrilheiros presos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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