Menor apetite da China por commodities ameaça mineradoras

A desaceleração do crescimento chinês pode criar um excedente global de minério de ferro e cobre em 2013, afetando grandes empresas mineradoras, que estão ameaçadas também pela tendência da economia da China de depender cada vez menos de gastos em infraestrutura, que consomem muita matéria-prima.

MANOLO SERA, Reuters

19 de julho de 2012 | 18h52

A China é o maior consumidor mundial de cobre, alumínio, minério de ferro, aço e carvão, e o segundo maior de petróleo. A demanda chinesa alimenta altas no mercado global de commodities há uma década, numa dádiva para muitas empresas e países fornecedores.

Mas, após vários anos com crescimentos na faixa dos 10 por cento ao ano, a economia da China está se desacelerando, refletindo um esfriamento da demanda interna e os problemas econômicos da União Europeia e Estados Unidos.

Avaliar a dimensão desse tombo é crucial para mineradores e produtores cujos planos de expansão dependem da absorção da oferta adicional pela China.

Para cada ponto percentual a menos no crescimento chinês, sua demanda por commodities industriais diminui em cerca de 10 bilhões de dólares, segundo cálculos da Reuters abrangendo os seis últimos anos. Esses cálculos não levam em conta os estoques existentes.

Mineradores como BHP Billiton, Rio Tinto e a brasileira Vale, maior produtora do mundo de minério de ferro, já estão se ressentindo da queda nos preços do ferro, e a cotação deve cair mais se a oferta superar a demanda.

"Esperamos uma saturação da oferta a partir de 2013 por causa da desaceleração no crescimento da demanda na China e da maior oferta dos fornecedores australianos, motivada pelos enormes investimentos dos últimos dois anos", disse o analista Jiro Iokibe, da Daiwa Capital Markets.

Além da Daiwa, várias consultorias preveem excedentes já no ano que vem, ao passo que antes havia um virtual consenso de que isso só ocorreria em 2014.

Na quinta-feira, o preço de referência do minério de ferro estava em torno de 128 dólares por tonelada, menos valor desde novembro, e cerca de 25 por cento a menos do que há um ano.

Ainda assim, o preço equivale a quatro vezes o custo da produção para as mineradoras da Austrália, que continuam ampliando agressivamente sua capacidade.

Uma pesquisa da Reuters junto a economistas previu também um excedente de 9.000 toneladas no mercado de cobre no ano que vem. Esse é um volume pequeno, mas que pode aumentar se o crescimento chinês ficar muito aquém do esperado neste ano.

A China consome 7,6 milhões de toneladas de cobre refinado por ano, e cada ponto percentual a menos no crescimento equivale a uma redução de cerca de 64 mil toneladas na demanda.

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