Menos de 10% das crianças pobres têm creche, diz IBGE

Resumo dos indicadores sociais dos últimos dez anos evidencia a influência da renda familiar na educação

28 de setembro de 2007 | 10h27

O IBGE divulga nesta sexta-feira a síntese dos indicadores sociais brasileiros dos últimos dez anos. Baseada, principalmente, em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a síntese mostra que grande parcela das famílias (40,4%) com crianças e jovens de até 14 anos estavam, em 2006, entre as mais pobres do País, com rendimento mensal per capita de até meio salário mínimo.    Veja a pesquisa completa   Nessas famílias mais pobres, apenas 9,9% de crianças na faixa entre zero a três anos freqüentavam creches, provavelmente, segundo nota do IBGE, em razão da pouca oferta de vagas em creches públicas. Considerando as famílias com rendimento mensal per capita de mais de três salários mínimos, o acesso à creche e ao pré-escolar cresce para 40,7% das crianças.   Esse porcentual era de 15,5% no total das famílias.   Embora ainda reduzida, a taxa de crianças nas creches dobrou em dez anos, já que em 1996 era de 7,4%.   Quanto ao acesso das crianças de quatro a seis anos das famílias mais pobres à pré-escola, o porcentual era de 68,1%, enquanto que nas famílias com mais de três salários mínimos mensais per capita o acesso estava praticamente universalizado, ficando em torno de 95%, em todas as regiões.   O rendimento das famílias tem maior influência no início da vida escolar das crianças (creche e pré-escola) e no ensino médio (15 a 17 anos), sendo menos sentida no ensino fundamental (seis a 14 anos) que, lembra nota do IBGE, é obrigatório e está praticamente universalizado.   Entre os 20% mais pobres, 72,7% estavam matriculados no ensino médio, enquanto entre os 20% mais ricos, eram 93,6%.   Quando se considera o porcentual de jovens entre 18 a 24 anos que estudavam (51,5%) das famílias mais ricas representavam mais que o dobro daqueles das famílias mais pobres (24,6%).   Mais da metade (50,6%) dos jovens entre 18 e 19 anos trabalhavam, dos quais apenas 20% conciliavam o trabalho com os estudos.   O porcentual de rapazes nessa faixa de idade que trabalhavam (60,8%) era superior ao das garotas (40,5%). Dedicavam-se aos afazeres domésticos, 17,2% dos jovens.   Já no grupo de 20 a 24 anos, 64,4% trabalhavam e destes, apenas 14,7% trabalhavam e estudavam.   Mais da metade (54,5%) dos jovens trabalhadores entre 16 anos (idade a partir da qual o trabalho é permitido no País) e 24 anos recebem até um salário mínimo e cumprem uma jornada de 40 a 44 horas semanais.   A situação de baixa renda nas famílias com crianças de até 14 anos é mais preocupante no Nordeste, onde 63,1% de famílias com crianças até 14 anos de idade estavam na faixa mais baixa de rendimento, resultado da conjugação de uma fecundidade mais elevada e de um nível maior de pobreza, de acordo com i IBGE.   Em Alagoas (69,2%), Ceará (67,6%) e Piauí (66%), a maioria das famílias com crianças ou adolescentes pertenciam a menor faixa de rendimento, enquanto em Santa Catarina, apenas 16,6% das famílias estavam nessa situação.   Trabalho infantil   O trabalho ilegal de crianças mantém-se predominantemente agrícola e concentrado no Nordeste.   Entre os 2,7 milhões de trabalhadores entre cinco e 15 anos, 1,4 milhão estavam na atividade agrícola e aproximadamente 776 mil estavam ocupados na agricultura em Estados nordestinos.   No subgrupo entre 5 a 9 anos, havia 237 mil.   Os porcentuais de trabalho infantil mostraram melhorias na última década. O número de crianças entre 10 e 15 anos trabalhando caiu de 4,2 milhões, em 1996, para 2,5 milhões, em 2006.

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