Menos de 20% das cidades separam lixo para reciclagem

Número de cidades que adotam a coleta seletiva mais que dobrou entre 2000 e 2008, mas índice ainda é bastante baixo

O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h01

O número de cidades brasileiras com coleta seletiva de lixo mais que dobrou de 2000 a 2008, mas apenas 1.087 municípios, ou 19,5% do total, têm alguma forma de separação para reciclagem. Em 2000, apenas 8,2% das cidades tinham coleta seletiva.

Por outro lado, o avanço na reciclagem de alguns materiais, como o alumínio, tem mais um lado social - o trabalho dos catadores - que ambiental. O Brasil é campeão em reciclagem de alumínio, com 98,2% de reaproveitament em 2009. Em 1993, o índice (proporção do consumo de material reciclado em relação ao total consumido) era de 50%.

A reciclagem de embalagens PET também deu um salto: de 18,8% (1994) para 55,6% (2009). No vidro, a alta foi de 25% (1993) para 47% (2009).

Segundo Jorge Tenório, professor da Poli-USP, o fator econômico conta mais para o avanço da reciclagem. Algumas sucatas, sobretudo alumínio e PET, têm alto valor e servem de fonte de renda para muitos. "Qualquer metal tem valor, mas é mais fácil para o catador coletar embalagens", destaca ele, explicando por que a reciclagem se concentra em poucos materiais.

Apesar do quadro desfavorável, Tenório vê espaço para avanços, sobretudo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010. Algumas metas - como a extinção dos lixões até 2014 - são difíceis de alcançar, mas a fiscalização das agências reguladoras do ambiente nos Estados e a cobrança por parte do Ministério Público pressionarão por mudanças.

No plano da política local, será preciso avançar mais. O Paraná, Estado com a maior cobertura, não passa de 52,1% das cidades com coleta seletiva. A disparidade regional é enorme: no Piauí, só duas cidades (0,9% do total) separam o lixo.

A coleta seletiva está concentrada no Sudeste e no Sul, onde 25,9% e 41,3% das cidades, respectivamente, separam o lixo. São piores os dados para o Norte (5,1% das cidades), Nordeste (6%) e Centro-Oeste (7,1%).

O estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística também evidencia uma ameaça aos avanços, ao apontar um recuo na mobilização política local, nos municípios, em torno do desenvolvimento sustentável. / V.N. e L.N.L.

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