Menos óbvio, mas ainda ensolarado

Tulipa Ruiz tem uma voz incrível. Também tem talento de berço - seu pai, guitarrista, tocou com Itamar Assumpção e seu irmão, guitarrista de sua banda, produziu seus dois discos. E ela tem bom gosto. Mas essa combinação de fatores sozinha não faz um bom disco.

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2012 | 03h08

Se Efêmera, o elogiado disco de estreia, é cheio de canções de amor, Tudo Tanto vai por outro lado. Tulipa fugiu do padrão que a consagrou, lançando canções mais fortes, com letras que remetem a questões existenciais, ao cotidiano e aos conflitos humanos.

Tudo Tanto tem uma pegada pop com as duas primeiras canções que abrem o disco - "É", que já tem clipe, e "Dois Cafés", gravada com Lulu Santos e sua característica guitarra. A batida delas leva a uma letra que fala dos problemas comuns de São Paulo - a falta de dinheiro, a falta de vontade, a falta de tempo, a poluição. "Expectativa" fala de festa e nostalgia, com uma batida ótima para as pistas de dança.

E quem estava esperando uma balada como "Só Sei Dançar Com Você" é surpreendido com "Víbora", um blues arrastado cheio de guitarra e uma letra rancorosa, cortada por sussurros de Criolo. A música é pesada, mas Tulipa a torna mais leve com seu agudo e suas brincadeiras com a voz - que, aliás, permeiam todo o disco.

Tudo Tanto é mais experimental e menos óbvio, mas ainda é ensolarado, cheio de canções para se ouvir em um dia bom.

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