Menos pragas, sem venenos

Com técnicas simples de controle cultural e sem aplicar agrotóxicos é possível prevenir o ataque de vários insetos

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2008 | 04h13

O controle de pragas na lavoura pode ser feito não apenas com a aplicação de produtos químicos. Segundo a entomologista Lucia Madalena Vivan, pesquisadora da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), é possível diminuir o ataque de pragas, com eficiência, com a adoção de técnicas simples de controle cultural."O controle cultural é fundamental para o reduzir a população de pragas como bicudo, mosca-branca, ácaros, lagartas, percevejos e pulgão", diz Lucia. O bicudo, o ácaro e o pulgão costumam atacar lavouras de algodão; a mosca-branca ataca cultivos de soja, algodão, feijão e ornamentais; as lagartas falsa-medideira e spodoptera são pragas comuns em áreas de soja e algodão, que também sofrem com a presença dos percevejos marrom e manchador, respectivamente.A primeira dica de controle cultural é fazer a semeadura concentrada, o que significa fazê-la em um período curto, de até 30 dias, e na mesma época em que os produtores da região realizarem o plantio. Outra recomendação é conduzir a lavoura em local limpo, sem plantas invasoras. "Isso, além de facilitar os tratos culturais da lavoura, como controle de doenças e insetos, evita que pragas de plantas daninhas, como a mosca-branca, por exemplo, ataquem a cultura de interesse comercial."BICUDOLucia também recomenda que o produtor estabeleça datas-limite para a semeadura e a colheita, principalmente no algodão, para combater o bicudo-do-algodoeiro. "Esta data-limite é importante porque garante que todos os produtores entrem com o controle do bicudo no mesmo estágio da planta", diz Lucia, destacando que a data-limite de plantio vai de 1º de dezembro a 10 de fevereiro, conforme a região.Este ano, o prazo para destruir as soqueiras de algodão já acabou - foi até 15 de setembro -, mas Lucia reforça a importância da prática, que deve ser adotada após a colheita para evitar a rebrota das plantas, que servem de alimento e favorecem a postura de ovos do bicudo. Segundo ela, tanto a destruição mecânica ou química podem ser usadas. "Na destruição mecânica é importante utilizar equipamentos específicos para a operação; se for feita a destruição química, deve-se observar a rebrota para fazer o controle quantas vezes for necessário."ARMADILHASEm lavouras de algodão, Lucia recomenda, ainda, monitorar a população do bicudo 60 dias antes do início do plantio com a instalação de armadilhas de feromônio. Esse monitoramento determina o número de aplicações de inseticidas e indica para o produtor que áreas estão com problemas."As armadilhas são instaladas a cada 150 metros nas bordaduras da área. Elas atraem os insetos e, assim, o produtor pode quantificar a população do bicudo no local." Deve-se verificar o número de insetos semanalmente e trocar a armadilha a cada 15 dias. RecomendaçõesSemeadura: O plantio da lavoura deve ser feito em um período curto, de até 30 dias, e no mesmo período que os produtores vizinhosMato: Elimine as plantas invasoras da área, pois elas podem ser hospedeiras de pragas e doenças, aumentando o risco de ataques à lavouraSoqueiras: Destrua as soqueiras de algodão logo após a colheita para evitar a rebrota das plantas e prevenir o ataque do bicudoData-limite: Estabeleça datas-limite de plantio e colheita do algodão, para que o controle do bicudo na região seja feito com as plantas no mesmo estágio

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