Menu de hominídeos era mais variado

Nova análise indica que espécies similares podem ter tido dietas muito diferentes

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2011 | 03h06

A dieta dos hominídeos era mais variada do que se pensava, indica estudo na Science.

Tradicionalmente, pesquisas sobre hábitos alimentícios de hominídeos se concentraram no tamanho dos dentes, na forma e morfologia, assim como em ferramentas de pedra e ossos de animais sacrificados. Em novo estudo, de pesquisadores de universidades americanas, os dentes foram observados sob técnicas de microanálise do desgaste dental e de uso de isótopos para analisar os restos de esmalte dental.

Peter Ungar, da Universidade do Arkansas, e Matt Sponheimer, da Universidade do Colorado, indicam que o desgaste detectado na microanálise dos dentes de um animal reflete a dureza e a resistência do alimento que estava sendo ingerido nos dias ou semanas antes de sua morte. E a medição de isótopos estáveis (carbono, em especial) no esmalte proporciona pistas sobre a proporção de ervas, frutas e nozes ingeridas.

Após combinar essas técnicas, os pesquisadores creem que a dieta humana pode ter sido mais diversa do que se pensava. Isso reabre a dúvida sobre as noções atuais a respeito da dieta das espécies extintas.

As pesquisas foram realizadas principalmente em fósseis achados na Etiópia, no Quênia, na Tanzânia e na África do Sul. Os resultados indicam que espécies muito similares podem ter tido dietas muito diferentes.

Segundo Ungar, a maioria dos estudos "se fixou no tamanho, forma e estrutura dos crânios e dentes e os utilizaram para reconstruir a dieta. Mas isto não diz o que essas pessoas comiam, mas o que poderiam ter comido". A microanálise revela arranhões e golpes nos dentes causados pela alimentação, enquanto os isótopos mostram a composição química dos alimentos consumidos, fornecendo "rastros da conduta real" dos hominídeos, disse o cientista.

"Se nos fixarmos nos dentes e na forma do crânio, parece que deveria haver um aumento progressivo no consumo de alimentos duros, como nozes, sementes, raízes e tubérculos, em uma savana aberta", indicou Ungar.

O estudo afirma que algumas espécies comiam ervas duras ou juncos em vez de arbustos, enquanto outras consumiam alimentos mais macios, trocando-os pelos duros apenas em sua falta. Isso significa que a história da evolução da dieta humana "é muito mais complicada do que pensávamos", assinalou Ungar. "Já não podemos pensar em termos de tendências no tempo e em padrões comuns. É possível que o hábitat seja muito mais importante na determinação da dieta que a anatomia da espécie."

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