Mercado eleva projeção para Selic em 2013 a 8,5%

O mercado elevou pela terceira semana seguida a projeção para a Selic no final de 2013, passando a 8,50 por cento ao ano, contra 8,25 anteriormente, ao mesmo tempo em que reduziu a perspectiva para a inflação e para o crescimento da economia neste ano, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira.

CAMILA MOREIRA, Reuters

25 de março de 2013 | 11h18

Pela mediana das projeções, a expectativa é de que o BC inicie o ciclo de aperto monetário em maio, elevando a taxa básica de juros dos atuais 7,25 a 7,50 por cento, sem alterações na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril.

A pesquisa também mostrou que os analistas consultados pelo BC deixaram inalterada a perspectiva para 2014 da taxa básica de juros em 8,50 por cento.

Entre o Top 5 --instituições que mais acertam suas previsões-- a mediana no médio prazo para a Selic também mostra expectativa de a taxa encerrar 2013 a 8,50 por cento, após 8,25 por cento no levantamento anterior. Para 2014, a perspectiva foi elevada a 8,50 por cento, ante 7,75 por cento.

A pressão inflacionária tem colocado um dilema ao BC, num momento em que a disseminação da alta dos preços é forte entre os setores, mas a recuperação econômica ainda é frágil.

Agora, a atenção se volta para a divulgação, na quinta-feira, do Relatório Trimestral de Inflação do BC, que trará as projeções sobre inflação e atividade econômica da autoridade monetária.

"O relatório trimestral de inflação ajudará a calibrar as expectativas do mercado em relação aos próximos passos da política monetária", avaliou o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, em nota.

Na sexta-feira passada, o IPCA-15 --prévia da inflação oficial do país-- mostrou desaceleração da alta mensal em março, mas não o suficiente para aliviar a expectativa do mercado de elevação da Selic a partir de maio, com a taxa em 12 meses acumulando 6,43 por cento.

O resultado ficou bem próximo do teto da meta do governo, de 6,5 por cento pelo IPCA.

No Focus, os analistas fizeram mais um leve ajuste e veem agora o IPCA em 5,71 por cento neste ano, ante 5,73 por cento na pesquisa anterior. Para 2014, no entanto, houve elevação da previsão a 5,60 por cento, contra 5,54 por cento anteriormente.

CRESCIMENTO

A perspectiva para a expansão da economia brasileira em 2013 foi reduzida a 3 por cento no Focus, após 3,03 por cento anteriormente, mesmo após sinais de um início de ano em recuperação, puxado pela indústria e também pelo varejo.

A perspectiva para a expansão da produção industrial neste ano foi mantida em 3 por cento.

Para 2014, os analistas mantiveram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,5 por cento, mas reduziram a perspectiva de crescimento da produção industrial a 3,95 por cento, ante 4 por cento.

Já a expectativa para o câmbio no final deste ano foi mantida em 2 reais pela quarta semana seguida.

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