Mercado melhor faz VALE suspender férias coletivas de 450 em MG

Perspectivas mais otimistas com a demanda por minério de ferro fizeram a Vale suspender as férias coletivas programadas para os 450 funcionários da mina de Fábrica Nova, em Minas Gerais. Segundo a assessoria, "houve uma mudança de cenário na demanda e não haverá mais necessidade de paralisação da unidade", reduzindo para 5.050 o número de empregados em férias coletivas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, de forma escalonada. No final do ano passado, a Vale anunciou que colocaria 5,5 mil empregados em férias coletivas e demitiria 1.300 no mundo inteiro. Nesta quinta-feira, sindicatos ligados à Vale e demais atividades econômicas afetadas pelas demissões feitas pela empresa em Minas Gerais realizam manifestação na cidade de Itabira, onde segundo o coordenador da Coordenação Nacional de Lutas, uma das organizadoras, José Maria de Almeida, a Vale representa 80 por cento da economia local. "A Vale não tem motivo para demitir, o próprio Roger (Agnelli, presidente da empresa) enche a boca para falar que tem 15 bilhões de dólares em caixa, porque o trabalhador é que tem que pagar?", protestou. Depois de manifestações pela manhã, que reuniram cerca de 200 pessoas em frente à mina da Conceição, Almeida disse esperar reunir entre 3 e 4 mil pessoas nas manifestações da tarde, que vão incluir sindicatos ligados a outras atividades, como empreiteiras. "Em Itabira a Vale demitiu 76 empregados, mas as empreiteiras que servem a ela demitiram mil empregados, temos que fazer alguma coisa", explicou o sindicalista, que pretende se reunir com a empresa na próxima semana. Ele disse que a Vale prometeu uma reunião na próxima semana para apresentar uma proposta aos sindicatos. As reivindicações dos trabalhadores são retorno dos demitidos, manutenção dos salários e dos empregos. A Vale informou que vem se reunindo regularmente com os sindicatos. A assessoria da empresa disse que o número de demissões em Itabira foi de 62, e não de 76 pessoas como informou o sindicalista, e destacou que mesmo com as demissões o número de empregados da companhia na cidade passou de 2.823 em janeiro de 2008 para 3.125 em dezembro de 2008. "Aumentamos em 279 o número de empregados, não podemos ser responsabilizados pelo ajuste de outras empresas", disse uma assessora à Reuters pelo telefone referindo-se às demissões das empreiteiras de Itabira. Ela explicou que a Vale continua se esforçando para evitar novas demissões e não cancelou nenhum dos seus projetos. "Como o presidente da empresa disse, pode variar o ritmo de implantação dos projetos, mas nada foi cancelado", afirmou a assesora. A Vale planeja investir 14,2 bilhões de dólares em mais de 30 projetos em 2009, sendo 70 por cento desse total no Brasil.

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