Mercado reduz projeção de Selic de 8,5% para 8,0% em 2012

O mercado passou a estimar que o Banco Central reduzirá ainda mais a Selic. Agora, a previsão é de que a taxa básica de juros do país encerre 2012 a 8,0 por cento ao ano, sendo que a previsão anterior era de 8,50 por cento, segundo pesquisa Focus publicada nesta segunda-feira.

CAMILA MOREIRA, REUTERS

14 Maio 2012 | 09h03

O documento mostrou que o mercado continua acreditando que o BC reduzirá a Selic dos atuais 9 por cento ao ano para 8,50 por cento na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio.

O movimento fez com que o mercado também reduzisse sua expectativa da taxa básica de juros para o final de 2013 em 0,25 ponto percentual, para 9,75 por cento ao ano. A perspectiva do Top 5 -que reúne as instituições que mais acertam as projeções no relatório- para 2013, por outro lado, foi elevada de 8,75 por cento para 9,75 por cento.

No final do mês passado, a ata da última reunião do Copom já havia indicado mais cortes na Selic, embora o BC tenha destacado que qualquer movimento deve ser conduzido com "parcimônia". Em abril, o Copom reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual, para os atuais 9 por cento ao ano, menor nível desde abril de 2010, quando passou de 8,75 por cento ao ano -menor patamar histórico- para 9,50 por cento.

Na última quinta-feira, a equipe econômica veio a público em peso defender que a inflação está sob controle no país, e que nem mesmo a recente alta do dólar frente ao real colocaria mais pressão sobre os preços.

A flexibilização da política monetária é uma das armas usadas pelo governo para atingir o objetivo de garantir uma expansão na casa de 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, apesar de internamente reconhecer que a tarefa é complicada.

INFLAÇÃO

Em relação à inflação, as estimativas dentro do Focus apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,22 por cento, acima do relatório da semana anterior, quando estava em 5,12 por cento. Para o final de 2013, o mercado estima alta de 5,53 por cento, ante 5,56 por cento anteriormente.

Para o IPCA em 12 meses, as projeções foram mantidas em 5,53 por cento. A meta oficial de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA.

Recentemente, os preços têm dado sinais de fortalecimento. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que, em abril, o IPCA havia subido 0,64 por cento, avançando sobre a alta de 0,21 por cento registrada em março, e acumulando em 12 meses até abril 5,10 por cento.

O relatório Focus também mostrou alteração em relação à perspectiva da atividade econômica. Agora, o mercado prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) encerre 2012 com crescimento de 3,20 por cento, ligeiramente abaixo dos 3,23 por cento na semana anterior.

Para 2013, as contas dos agentes consultados pelo BC são de expansão de 4,30 por cento, inalteradas em relação ao último relatório.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista para o fim de 2012 pelo mercado é de 1,85 real por dólar, ante 1,81 real por dólar na semana passada.

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