Mercado reduz projeção de Selic de 9% a 8,5% neste ano

O mercado passou a estimar que o Banco Central continuará reduzindo a Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio. Agora, a previsão é de corte de 0,50 ponto percentual, o que levaria a taxa básica de juros a 8,50 por cento ao ano, mostrou a pesquisa Focus nesta segunda-feira.

CAMILA MOREIRA, REUTERS

07 Maio 2012 | 10h45

O movimento, no entanto, não deve parar por aí. Analistas ouvidos pela Reuters acreditam que mais cortes virão e que a Selic pode fechar o ano em torno de 8 por cento.

Até então, as contas vistas pelo Focus apontavam que a Selic ficaria estável em 9 por cento ao ano em 2012. O documento mostrou ainda que os analistas preveem que a Selic ficará em 8,50 por cento até o fim do ano.

A expectativa da taxa para o final de 2013 foi mantida em 10 por cento, porém a perspectiva do Top 5 -que reúne as instituições que mais acertam as projeções no relatório- foi reduzida de 9 por cento para 8,75 por cento.

Recentemente, o governo mostrou em dois momentos que estaria disposto a reduzir ainda mais a taxa Selic. Na última quinta-feira, anunciou mudança na remuneração da poupança e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro que, sem ela, o BC "ficaria com a política monetária comprometida."

Para o economista da Tendências Silvio Campos Neto, as novas regras da poupança ainda não foram totalmente absorvidas nas leituras das consultorias que fazem parte do Focus, o que dá margem para mais reduções no relatório.

"O nível de 8,50 por cento ainda poderia ser alcançado sem a mudança da regra (da poupança). Então possivelmente ainda haverá ajustes para baixo (nas perspectivas do Focus) nas próximas semanas", disse ele, explicando que os analistas da Tendências ainda devem se reunir nesta semana para rever seus números, "com grande probabilidade de jogar (a Selic) para baixo".

Até agora, a expectativa da consultoria é de um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de maio do Copom e outro de 0,25 ponto em julho, com a Selic terminando o ano em 8,25 por cento.

Mantega também afirmou na semana passada que a Selic em queda ajudará na redução do spread bancário -diferença entre custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada aos consumidores- no Brasil, considerado muito alto. Ele também afirmou que a taxa de juros real de 2 por cento é "um sonho que todos os brasileiros deveriam ter."

Nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a mudança no rendimento da poupança permite a continuação da queda de juros no país e voltou a cobrar dos bancos privados que acompanhem o processo de baixa da taxa Selic e repassem a redução aos consumidores.

PARCIMÔNIA

No final do mês passado, a ata da última reunião do Copom já havia indicado mais cortes na Selic, embora o BC tenha destacado que qualquer movimento deve ser conduzido com "parcimônia". Em abril, o Copom reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual, para os atuais 9 por cento ao ano, menor nível desde abril de 2010, quando passou de 8,75 por cento ao ano -menor patamar histórico- para 9,50 por cento.

O uso da palavra "parcimônia", entretanto, continua intrigando o mercado. O consultor da Schwartsman & Associados, Alexandre Schwartsman, também acredita que o mercado deve reduzir mais suas expectativas para a Selic, porém destaca que muito vai depender da decisão a ser tomada pelo Copom neste mês.

"Vai depender crucialmente do próximo movimento do Copom, se o corte será de 0,50 ou 0,25 ponto percentual", disse ele, explicando que a estimativa da consultoria ainda é de 8,5 por cento.

Na sexta-feira, de acordo com operadores, a curva de juros futuros precificava mais dois cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas duas reuniões do Copom.

Pesquisa realizada pela Reuters aponta que 23 de 36 economistas consultados acreditam que a taxa básica de juros brasileira deve estar em um dígito no fim de 2014, quando termina o mandado da presidente Dilma Rousseff.

INFLAÇÃO

Em relação à inflação, as estimativas dentro do Focus apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,12 por cento, inalterado ante o relatório da semana passada. Para o final de 2013, o mercado estima alta de 5,56 por cento, ante 5,53 por cento anteriormente.

Para o IPCA em 12 meses, as projeções foram mantidas em 5,53 por cento neste ano.

No fechamento de abril, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou a alta para 0,52 por cento, e a expectativa é de que o movimento deve continuar em maio para algo perto de 0,40 por cento.

A meta oficial de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA, e o cenário inflacionário é determinante para que o BC defina sua política relacionada à taxa básica de juros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados de abril do IPCA na quarta-feira.

CRESCIMENTO

O relatório Focus também mostrou leve alteração em relação à perspectiva da atividade econômica. Agora, o mercado prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) encerre 2012 com crescimento de 3,23 por cento, ante 3,22 por cento na semana passada.

Para 2013, as contas dos agentes consultados pelo BC é de expansão de 4,30 por cento, inalteradas em relação ao último relatório.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista para o fim de 2012 pelo mercado é de 1,81 real por dólar, ante 1,80 real por dólar na semana passada.

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