Mercado registra fortes exportações de trigo do Brasil em 2011

O Brasil viu boa demanda internacional pelo seu trigo durante esta semana, com importadores tendo dificuldades de "originar" o cereal em países como a Austrália, em meio à alta nos preços no exterior.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

14 de janeiro de 2011 | 17h08

E os negócios registrados darão mais força às exportações brasileiras do grão neste início de ano, disseram corretores à Reuters.

As vendas na última semana do produto do Rio Grande do Sul, em um volume difícil de ser quantificado, segundo corretores, deverão adicionar novas cargas à forte programação de exportações do trigo no primeiro trimestre.

As fontes, que pediram para não ser identificadas, disseram que as vendas foram feitas entre 306 e 311 dólares por tonelada (base FOB, no porto de Rio Grande).

Com a alta nos preços no mercado internacional, as negociações do produto gaúcho na última semana, disseram as fontes, não necessitaram do apoio do PEP (Prêmio para Escoamento de Produto), um programa do governo de subsídio ao frete até o porto que permitirá que o Brasil volte a exportar grandes volumes em 2011.

Nos negócios em que o PEP foi necessário no ano passado, o valor médio do trigo saiu por cerca de 280 dólares.

A expectativa do mercado é que o país, um importador líquido de trigo, possa igualar ou até superar este ano as exportações registradas em 2010, que somaram 1,31 milhão de toneladas, volume praticamente igual ao recorde de embarques registrado em 2004 (1,32 milhão), segundo dados do Ministério da Agricultura.

"Vai sair 1,2 milhão de Rio Grande (via PEP), mais o que andaram comprando esta semana. De repente sai 1,5 milhão de exportação de dezembro (de 2010) a fevereiro (2011), talvez no início de março saia alguma coisa", afirmou um corretor no Rio Grande do Sul. No mês passado, o Brasil exportou 112 mil de toneladas de trigo.

Um outro corretor, que atua no Paraná, tem avaliação parecida com a do colega gaúcho. "Acho que vai repetir o que aconteceu em 2010, não tem por que não, acho que vai ter demanda, o mercado está demandado", disse, lembrando que no ano passado os embarques também contaram com o PEP.

Embora produza cerca de metade do que consome por ano, o Brasil geralmente acaba exportando parte de sua produção --oficialmente estimada em 5,8 milhões de toneladas--, porque algumas regiões colhem um cereal impróprio para a indústria de panificação, que responde pela maior parte da demanda local.

Os destinos do trigo brasileiro incluem em sua maioria os países do norte da África, que apreciam um produto de elevada proteína como é o do Brasil, mas com menor força de glúten.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

O mercado de trigo normalmente realiza a maior parte das exportações no início do ano para tirar proveito da logística nos portos, onde a movimentação costuma ser mais fraca antes do início do período de exportação de soja.

"Janeiro vai ser um mês com maior movimentação, deve ser no mínimo 300 mil (toneladas) em Rio Grande e pelo menos 200 mil em Paranaguá", declarou o primeiro corretor, com base na programação de navios.

Mas essa previsão pode ser conservadora. Até a primeira metade do mês, os três principais portos do Sul (Rio Grande, Paranaguá e São Francisco do Sul) já tinham embarcado cerca de 350 mil toneladas.

"Já tem navios embarcando, mas a janela para o porto de Paranaguá é bem curta, os navios têm que sair até no máximo em 20 de fevereiro, porque depois começa a soja. Ao final de fevereiro o porto tem que estar livre (para a soja), tanto que a gente não consegue espaço para março", disse o corretor.

Os embarques pelo porto de Rio Grande, onde a colheita da soja é tardia, ainda podem ocorrer durante o mês março.

Na próxima quinta-feira, o governo realizará mais um leilão PEP de trigo, para 390 mil toneladas, o que deve adicionar mais alguns carregamentos nas exportações previstas para o país.

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