Mercados futuros: mais contratos de café

Cafeicultores aprendem, cada vez mais, a negociar a safra na Bolsa de Mercadorias & Futuros e garantir lucros

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2008 | 03h06

O interesse pela venda da safra com o uso de títulos financeiros - mercado futuro, Cédula de Produto Rural (CPR) e venda antecipada com ou sem opção - tem crescido entre cafeicultores paulistas. Conforme levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a utilização desses títulos aumentou 92% na safra 2005/2006 em relação ao ano-safra anterior.Entre as modalidades financeiras disponíveis, a negociação de contratos no mercado futuro é uma das mais utilizadas e permite ao cafeicultor garantir (travar), antecipadamente, um valor lucrativo para o café negociado. Segundo a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em 2006 foram negociados 528.462 contratos de arábica. No ano passado, o número de contratos subiu para 724.324. Em janeiro, foram 60.144 contratos.O produtor José Renato Miranda Serra, de Garça (SP), conta que, além de contratar assessoria técnica especializada, fez curso na BM&F. "É imprescindível, além de ter os custos de produção calculados para poder travar o melhor preço, ter a orientação de uma corretora", diz.O grupo de produtores do qual Serra faz parte produz 50 mil sacas de café e 50% da produção é negociada no mercado futuro. "Procuramos negociar no fim do ano, fora da época de pico de safra, quando a oferta é maior e os preços tendem a diminuir. O custo de produção médio é de R$ 6 mil/hectare e, baseado nisso, tentamos travar um valor que pelo menos cubra o que foi gasto."MARGEM DE GARANTIAO próprio corretor pode informar sobre o valor da margem de garantia a ser depositado na BM&F e que dá direito a operar na bolsa. A margem de garantia é um valor cobrado de acordo com o número de contratos que o produtor faz. Esse depósito também serve para a bolsa fazer os ajustes diários, que são as oscilações entre o preço que o produtor negociou e o preço do dia registrado na bolsa.A modalidade é utilizada também por produtores cooperados. Na Cooperativa Regional de Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso), a negociação é feita via cooperativa, que banca a margem de garantia e os ajustes diários. "O produtor tem todas as informações na cooperativa", diz o trader Marllon Petrus.Na Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), de Franca (SP), conforme explica o gerente do Departamento de Café, Anselmo Magno de Paula, é dada a assessoria técnica, sem bancar custos, porém.A Cocapec tem 1.700 cooperados. "As vendas futuras vêm crescendo, mas orientamos o produtor sobre a importância de ter dinheiro em caixa, para cobrir as oscilações diárias de preços."

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