Mercenários da Libéria vão atrás de trabalho na Costa do Marfim

Numa vila remota nas montanhas da Libéria, cerca de 20 homens armados com facões se preparam para caminhar pela floresta até a vizinha Costa do Marfim para lutar por quem estiver disposto a pagar por isso.

REUTERS

31 de dezembro de 2010 | 16h53

A maior parte deles é formada por ex-combatentes da guerra civil da Libéria, travada no final dos anos 1980 e durante os anos 1990. Agora, eles querem emprego na Costa do Marfim, que está em conflito desde a eleição do último dia 28 de novembro e que agora ameaça reavivar a guerra civil de 2002-03.

Alguns usam perucas de mulher, um artifício usado durante a guerra na Libéria na tentativa de tentar afastar as balas.

Eles estão preparados para lutar de qualquer lado da crise marfinense, do presidente Laurent Gbagbo ou de seu rival Alassane Ouattara -- e podem fazer parte de legiões bem maiores que estão atravessando a fronteira com a esperança de entrar na luta.

"A gente atua neste negócio há muitos anos", diz um deles, um homem de 33 anos que se autonomeou de Jack. "A gente sabe como lutar bem e se os homens de Gbagbo ou Ouattara puderem nos empregar para lutar, isso será bom".

Gbagbo está resistindo à pressão internacional para deixar o cargo depois que os resultados da eleição mostraram que ele perdeu para Ouattara, provocando um conflito que já deixou mais de 170 mortos.

Diplomatas e forças de segurança disseram que Gbagbo pode ter até 1.000 mercenários trabalhando para ele. Marfinenses que estão temendo o pior fogem aos milhares para a fronteira da Libéria, e a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que já registrou mais de 18.000 refugiados ao longo da fronteira.

A Libéria é um dos países mais pobres do mundo, ainda se recuperando da guerra civil, onde um cidadão médio vive com menos de um dólar por dia.

(Reportagem de Alphonso Toweh)

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