Merkel descarta armar Ucrânia, mas se diz incerta sobre esforços de paz

A primeira-ministra alemã Angela Merkel descartou neste sábado a possibilidade de enviar armar para o governo ucraniano enfrentar os rebeldes separatistas pró-Rússia, mas disse que não havia garantias de que seus mais recentes esforços de paz em conjunto com o presidente francês François Hollande funcionariam também.

STE, REUTERS

07 Fevereiro 2015 | 10h37

Falando em uma conferência em Munique neste sábado com autoridades norte-americanas, europeias, ucranianas e russas, Merkel disse que o plano de paz franco-alemão apresentado a Kiev e Moscou nesta semana era digno de tentativa, mas que seu sucesso era "incerto".

Hollande classificou o plano como um último recurso para terminar o conflito no leste da Ucrânia, que já matou mais de 5000 pessoas. Com a anexação da península da Crimeia por parte dos russos, a crise levou as relações de Moscou com o Ocidente para novos desgastes.

"Se não conseguirmos não só um compromisso, mas um acordo de paz duradouro, sabemos perfeitamente bem qual será o cenário. Há um nome, chama-se guerra", disse Hollande a jornalistas na cidade francesa de Tulle.

O debate na Conferência de Segurança de Munique foi focado em uma crescente discussão entre americanos e europeus sobre como confrontar Putin enquanto os rebeldes apoiados por Moscou ganham território. O presidente norte-americano, Barack Obama, está sendo pressionado por alguns membros do Congresso para fornecer armas letais ao governo de Kiev.

O principal comandante militar da OTAN, o general da Força Aérea Philip Breedlove, deu os mais fortes indícios até agora em Munique de que agora quer que os aliados ocidentais considerem o envio de armas à Ucrânia.

"Não acho que devíamos descartar a possibilidade da opção militar", disse Breedlove a jornalistas, acrescentando que se referia a armas e capacidades e que não havia "conversas sobre botas militares em solo ucraniano".

Em Kiev no sábado, o porta-voz do Exército ucraniano disse que os separatistas haviam aumentado os ataques a forças do governo nas linhas de frente e pareciam estar armando novas ofensivas na cidade de Debaltseve, importante ponto ferroviário do país, e na localidade costeira de Mariupol.

Merkel e Hollande voltaram de Moscou no meio da noite após cinco horas de negociações com Putin na sexta-feira. As conversas renderam pouco mais do que promessas para continuar negociando.

Merkel, que deve voar para Washington no domingo para se encontrar com Obama, questionou a lógica de se enviar armas para combater separatistas que parecem ter suprimentos ilimitados de armas de seus apoiadores russos.

"Eu entendo o debate, mas acredito que mais armas não levarão ao progresso que a Ucrânia precisa. Eu realmente duvido disso.", disse a líder alemã. "Já existe um grande número de armas na região e não vejo como isso faz que uma solução militar seja mais provável".

(Reportagem adicional de Adrian Croft)

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