Mesmo com pacote de incentivos, Irã seguirá com programa nuclear

O Irã prometeu neste sábado prosseguircom seu programa de enriquecimento de urânio um dia depois deter dado sua resposta a um pacote de incentivos oferecido porpotências mundiais que visa fazer o país frear suas ambiçõesnucleares. Não foram divulgados detalhes sobre a resposta formal doIrã na sexta-feira --apresentada ao chefe de política externada União Européia, Javier Solana-- à proposta de negociaçõessobre benefícios caso Teerã aceitasse interromper seu programade enriquecimento de urânio. Países do Ocidente suspeitam que o programa nuclear deTeerã tem como objetivo a construção de bombas atômicas. O Irãalega que seu projeto tem fins pacíficos. Em seu primeiro comunicado após o país ter respondido àproposta internacional, o porta-voz do governo iraniano,Gholamhossein Elham, disse que o Irã não tinha a intenção dediscutir seu "direito de enriquecer urânio". "A postura do Irã não mudou e estamos prontos para negociarno sentido de preservar os direitos nucleares do Irã", disseElham neste sábado em uma entrevista coletiva. O Irã, quarto maior exportador de petróleo do mundo, alegaque suas atividades nucleares têm como único objetivo gerarenergia para que a nação possa exportar mais petróleo, mas osEstados Unidos e seus aliados europeus suspeitam que Teerãbusca um projeto de possuir bombas atômicas. O urânio enriquecido pode ser usado como combustível parausinas de energia, mas também serve, se refinado um pouco mais,para prover material para bombas nucleares. As disputas sobre oprograma nuclear iraniano espalharam temores de que umenfrentamento militar possa ocorrer e ajudaram a elevar ospreços do petróleo. O ministro do petróleo do Irã disse que qualquer ataque como objetivo de frear os trabalhos nucleares do país causará umaalta "imprevisível" nos preços do petróleo, informou nestesábado o Ministério do Petróleo em seu site na Internet. "Quando os preços do petróleo mudam de dez ou quinzedólares por comentários de autoridades (sobre o mercado), elesterão altas imprevisíveis se alguém tomar a decisão insensatade atacar o Irã", disse o ministro Gholamhossein Nozari. (Texto de Zahra Hosseinian, Parisa Hafezi e PeterMillership)

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