Mestiça e quase mítica

Oficialmente, ela foi lançada ontem. Mas a Cafuza, uma Imperial India Black Ale, tem dois anos de história e ares de lenda. Criada por Bruno Moreno de Brito e Leonardo Satt, essa cerveja miscigenada circulava apenas pela turminha cervejeira de São Paulo e foi ganhando fama e status de raridade. Era daqueles casos em que muita gente já ouviu falar, mas nunca viu - muito menos provou.

Heloisa Lupinacci, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2014 | 02h08

Ela é uma mistura de Imperial IPA com Black IPA, daí seu longo nome: Imperial India Black Ale. O que isso quer dizer? Vamos por partes.

India Black é uma versão escura da India Pale Ale. Black com India dá Cafuza, daí o nome da dita cuja. Imperial quer dizer forte, super, extra. Toda vez que você vir Imperial no nome de uma cerveja isso quer dizer que ela tem mais grão e, portanto, mais álcool. E, para equilibrar esse álcool, ela terá mais de tudo. Com o botão de volume no talo, é uma cerveja de 8,5%, com bastante lúpulo e um belo corpo. Raphael Rodrigues, sommelier e blogueiro do AllBeers, provou a Cafuza em diversas levas - ainda da panelinha de 20 litros da produção caseira - e a descreve ao lado.

Pois em 2012 foram quatro brassagens de 20 litros. No ano seguinte, foram duas de 20 litros e uma de 200 litros, na Cervejaria Nacional. Agora, foi produzida na Invicta, em Ribeirão Preto, em uma leva de 3 mil litros. Será distribuída em São Paulo e no Rio.

O mesmo caminho traçado pela Cafuza - da caseira panelinha para o tanque de produção em larga escala - foi percorrido por algumas das cervejas mais destacadas do mercado. A Petroleum, da DUM, é o caso mais emblemático. Caseira, foi angariando fãs, virou mito, ganhou selo do MAPA e escala de produção. "Tem muita gente que chama a Cafuza de 'a Petroleum de São Paulo' pela semelhança da história. Eu me inspirei bastante no jeito que eles fizeram para divulgar a cerveja", diz Bruno.

Essas receitas testadas na escala doméstica funcionam como vetor de inovação. "Na panela de 20 litros, se a cerveja ficar ruim, o prejuízo é pequeno. Por isso há espaço para ousadia", diz Leonardo. A Cervejas Sazonais, empresa criada pelas cervejarias caseiras Serra das Três Pontas, de Burno Moreira, Prima Satt, de Leonardo Satt e Noturna, de Luciano Martins Silva, quer manter a ousadia em lançamentos comerciais. "Vamos fazer apenas cervejas sazonais, sempre extremas", diz Leonardo. Isso quer dizer que a Cafuza continuará sendo difícil? "Ela sempre vai voltar, com ajustes de receita. Será como safra de vinho. Cafuza 2014, Cafuza 2015…", explica.

Para quem está em São Paulo, há duas chances de prová-la em chope. No sábado, no jogo do Brasil, a loja de cervejas especiais Capitão Barley tem a cerveja em chope (R$ 18, 300 ml) e garrafa (R$ 20, 350 ml) e, para comer, o Escondo na Kombi estará estacionado ali. No domingo, no Escambo Hostel, o chef Pedro Voltolino de Azevedo sugere a harmonização de Cafuza com hambúrguer de cordeiro com queijo pecorino (R$ 16).

Onde

Capitão Barley. R. Cayowaá, 358, 3569-3560. A partir de 11h

Escambo Hostel. R. Oscar Porto, 33, 3051-5344. A partir das 13h

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