Metade tenta vaga como cotista no Sisu

Apesar da demanda, porcentual reservado a estudantes nas universidades federais por meio do sistema de cotas é de apenas 12,5%

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2013 | 02h05

BRASÍLIA - Quase metade dos inscritos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - ambiente virtual no qual os estudantes se candidatam a universidades federais com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - tentou uma vaga pelo sistema de cotas. Foram 864.830 inscritos, de um total de 1.949.958 estudantes que usaram o Sisu neste ano, apesar de as vagas reservadas para os cotistas representarem apenas 12,5% do total.

"Foi um salto extraordinário, mas está muito abaixo do peso relativo das escolas públicas no sistema de ensino em geral, que é de 88%", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Quase 520 mil inscritos no sistema de cotas têm renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo per capita - a maioria é de negros ou indígenas. Os demais têm renda superior a esse valor, mas também são estudantes de escolas públicas, já que a lei não discrimina escolas militares ou ligadas a universidades, que costumam atrair estudantes de maior renda.

Os dados distribuídos ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que, pelo menos em três cursos em que as médias foram analisadas, as notas de corte no sistema de cotas e no sistema geral não foram muito diferentes. Em Medicina, a área tradicionalmente com notas mais altas, a média dos não cotistas foi de 787,56 pontos, enquanto a dos cotistas atingiu 761,67 pontos. Em Pedagogia a diferença foi de 6,5 pontos e em Licenciatura (para professores em geral), de 21,06 pontos. "Os melhores do setor público são melhores que a média do setor privado. Esse resultado não pode levar a comemorações, mas é um bom começo", disse o ministro.

O problema maior, segundo Mercadante, deverá ser nos anos seguintes, quando o porcentual de vagas para cotistas aumentar até chegar a 50%, daqui a três anos. Aos poucos, essa "elite" do sistema público terminará e começarão a entrar os alunos médios, que já têm notas bem abaixo da média do sistema privado. "Temos aí dois a três anos para investir e tentar melhorar o ensino médio público", afirmou. Nos últimos anos, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não melhorou e ainda piorou em alguns Estados.

Matrícula. As matrículas dos aprovados na primeira fase do Sisu começam na sexta-feira. Os resultados da segunda chamada serão divulgados no dia 28 e a matrícula será em 1.º de fevereiro. Entre os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro será aberta a adesão à lista de espera, para as vagas não preenchidas.

Na quinta-feira começam as inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni). Para se inscrever, é preciso ter feito pelo menos 450 pontos no Enem e não ter zero na redação.

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