Metas concretas para a Rio+20 dividem países

As negociações do rascunho da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com encerramento previsto para hoje em Nova York, dividiam ontem os organizadores do evento sobre a conveniência do estabelecimento de metas para os sete principais temas do encontro no Rio, em junho.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2012 | 03h04

Essa divisão envolve tanto diferenças políticas como também opiniões distintas sobre como defender estratégias para o fortalecimento do desenvolvimento sustentável.

De um lado, há os defensores do estabelecimento de metas rígidas para áreas como água, segurança alimentar e energia. Dessa forma, a Rio+20 teria uma importância maior e os resultados seriam mais claros. Ao mesmo tempo, muitos negociadores que participam das discussões na ONU consideram prematuro impor metas na Rio+20, que ocorrerá entre os dias 20 e 22 de junho, optando por objetivos mais gerais em cada uma das áreas.

Para completar, segundo os defensores dessa linha de negociação, as metas dos milênio, que ainda estão distantes de serem cumpridas a apenas três anos do fim do prazo, em 2015, correm o risco de serem ofuscadas pelas do meio ambiente.

Autoridades governamentais não têm falado abertamente porque temem que seus países sejam classificados como obstáculos para a conferência em defesa do meio ambiente.

O risco, de acordo com um dos negociadores ontem em Nova York, era de haver um fracasso da conferência no Rio, que marca também o aniversário de 20 anos da Eco-92. "Quase não houve avanço, mas até amanhã (hoje) pode haver novidades", disse. São esperados cerca de 50 mil participantes no Rio.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, tentava manter o otimismo ontem, diante de obstáculos e de tentativas de amenizar o texto o máximo possível. Na sua avaliação, o encontro deveria ao menos "lançar um processo que conduza a metas de desenvolvimento sustentável".

O chamado rascunho zero do documento contava inicialmente com 6 mil páginas, sendo reduzido para apenas 19 nas negociações em março. Com os adendos colocados pelos governos envolvidos, subiu para 200. Esse documento revisado, segundo os organizadores, encontrou 26 áreas de atuação.

EUA, Japão, Canadá e também algumas nações europeias têm se mostrado reticentes com alguns pontos em negociação, incluindo o estabelecimento de metas. Também há pressões da iniciativa privada. O Brasil se esforça para que a Rio+20 não seja um fracasso como a conferência do clima realizada na Dinamarca em 2009, onde não foram produzidos resultados.

Em Nova York, há reclamações de falta de foco nas negociações. Haverá apenas mais uma rodada no Rio, menos longa, pouco antes do início da conferência.

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