Método da UFMG reduz casos de dengue

Técnica reduziu em 50% os casos da doença em 20 municípios mineiros onde foi implementada

ALINE RESKALLA, ESPECIAL PARA O ESTADO, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2011 | 03h01

Uma tecnologia de combate à dengue desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reduziu em 50% os casos da doença em 20 municípios mineiros onde foi implementada. A UFMG fez o levantamento com base em dados oficiais do Estado, que patrocinou a adoção do sistema em 2009 nessas cidades. Minas viveu em 2010 a sua mais grave epidemia de dengue, com 250 mil casos.

Responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, batizada de MI-Dengue, Álvaro Eiras, do Departamento de Parasitologia (ICB) da UFMG, explica que o sistema usa uma espécie de arapuca para gerar dados de localização do mosquito, informando quais áreas devem ser priorizadas no controle.

Segundo ele, a ação começa com a instalação de armadilhas georreferenciadas via GPS nas áreas a serem monitoradas. Conhecidas como MosquiTrap, as "arapucas de mosquito" capturam as fêmeas adultas do inseto, impedindo que elas depositem seus ovos. A atração ocorre por meio de um líquido desenvolvido a partir do capim fermentado.

"Os próprios agentes conseguem identificar os mosquitos e enviar os dados para a central", diz Eiras. A central de processamento gera tabelas, mapas de infestação e índices entomológicos. No modelo convencional, os técnicos precisam visitar milhares de casas em busca de larvas, que ainda precisam ser analisadas em laboratório.

Eiras calcula que, para cada real investido em prevenção com a tecnologia, é gerada uma economia de R$ 11 - levando-se em conta assistência médica e perda de produção que cada caso de dengue provoca. Segundo ele, essa economia pode ultrapassar R$ 30 milhões nos 20 municípios analisados. Desde 2005, o dispositivo foi implantado em mais de 50 cidades brasileiras.

Mais conteúdo sobre:
dengue

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.