Metrô do Rio reforma túneis e estações

A concessionária MetrôRio está realizando obras em túneis e estações por conta do iminente início de operação dos 19 novos trens comprados na China. Sindicalistas e especialistas em transportes dizem que as adaptações são necessárias para evitar que as novas composições, mais leves que as atuais, sofram colisões laterais. A concessionária afirma que são apenas ajustes para "adequação a padrões internacionais".

HELOISA ARUTH STURM E MARCELO GOMES, Agência Estado

16 de julho de 2012 | 20h48

No centro da discussão está o novo modelo do trem, diferente do que vem sendo até então utilizado nos metrôs do Rio e de São Paulo. Enquanto as composições atualmente em uso são formadas por vagões independentes que possuem tração em todos os eixos, o que permite total aderência aos trilhos, os novos trens chineses são espécies de "trens-reboque", com alguns vagões motorizados e outros que operam a reboque, sem tração. Nesse caso, por serem mais leves, eles têm aderência menor e a tendência é possuírem movimento lateral maior.

"É mais ou menos como um carro de tração 4X4: tem dois eixos que funcionam como peso, chamado peso aderente. Isso faz com que ele possa sair de situações mais adversas e pode usar toda a potência do motor", explica o professor de engenharia de transportes da Coppe (pós-graduação de engenharia da Ufrj) Hostílio Ratton Neto. "Quando você só tem dois eixos, você não pode usar toda a potência do carro porque o peso aderente é bem menor. É o que talvez seja o problema desse sistema", avalia.

De acordo com Fernando MacDowell, especialista em engenharia de transportes, professor da Escola Politécnica da Ufrj e ex- diretor de Planejamento do Metrô (1975/1979), a concessionária não teria levado em consideração o gabarito aerodinâmico dos novos trens, o que poderia acarretar em descarrilamentos, colisões em estruturas de concreto e outros acidentes. "Quanto maior a velocidade, mais o trem chacoalha, e se o tamanho do túnel for muito estreito, esses chacoalhões podem ocasionar colisões".

O gabarito dinâmico é o tamanho mínimo para a passagem do comboio, num cenário em que se apresentem as condições mais adversas no trajeto. Deve levar em conta, portanto, medidas como dimensões dos carros, velocidade operacional, desgaste dos trilhos, suspensão dos vagões, espaço para as passarelas de emergência e raio das curvas do trajeto. "Para evitar acidentes, deveriam ser feitos ajustes de até 2cm a 3cm em alguns trechos e estações", diz MacDowell. O MetrôRio admite que está realizando obras de adequação em alguns túneis e plataformas, mas nega que as intervenções sejam decorrentes de problemas nos novos trens.

Com um investimento de R$ 320 milhões, o MetrôRio promete colocar em operação, até março de 2013, 19 novos trens, com seis vagões cada - o que implica um aumento de 63% na frota. As três primeiras composições já chegaram à cidade e estão em testes. A previsão é que o primeiro trem inicie as operações em agosto. Além destes, outros 17 serão adquiridos para operar na Linha 4, atualmente em obras de expansão para ligar Ipanema, na zona sul, à Barra da Tijuca, na zona oeste.

Em maio do ano passado, a Agência Reguladora de Serviços Concedidos de Transportes (Agetransp) multou o Metrô Rio em R$ 374 mil por não ter colocado os novos trens chineses em circulação em agosto de 2010. O prazo havia sido estipulado no 6º termo aditivo ao contrato de concessão, assinado em dezembro de 2007 entre o Estado do Rio e a concessionária.

Outro lado

O Metrô Rio afirmou que os 19 novos trens chineses "estão dentro dos padrões de gabarito das estações", e que a redução da largura das plataformas de algumas paradas tem o objetivo de adequá-las a padrões internacionais. A concessionária, entretanto, não explicou que padrões são esses.

Segundo o metrô, o primeiro novo trem já está passando por testes na via, o que "descarta as especulações do sindicato citado". A Secretaria de Transportes do Estado do Rio informou que caberia à concessionária Metrô Rio e à Agência Reguladora dos Serviços Concedidos de Transportes (Agetransp) tecer comentários sobre as obras de adaptações de estações do metrô. Por sua vez, a assessoria da Agetransp disse que "a aceitação dos trens e do projeto foge da competência" da agência, mas que "os novos trens estão de acordo com os gabaritos estáticos e dinâmicos do projeto".

Conselheiro da Agetransp, Herval Barros afirmou que as obras nas estações estão sendo feitas para evitar problemas com o seguro dos novos trens. "Os novos trens seguem as especificações da RioTrilhos (estatal responsável pela ampliação do metrô). Eles trens têm uma espécie de garantia, de seguro. Algumas estações, principalmente as mais antigas, não estavam dentro do padrão internacional. Só que isso nunca deu problema com os trens antigos. Para evitar que haja problemas com o seguro no caso de algum incidente com os trens novos, as estações estão sendo adaptadas", explicou o engenheiro.

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