Metrô falha e Rio vive tumulto no 1º dia da Jornada

No primeiro teste da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o sistema de transporte público falhou. Com milhares de peregrinos, voluntários e fiéis tentando chegar à Praia de Copacabana, na zona sul, local da missa de abertura oficial da JMJ, o rompimento de um cabo de energia fez todas as estações do metrô serem fechadas e as duas linhas, interrompidas. Pontos de ônibus ficaram lotados; quem conseguia entrar em um dos coletivos, se espremia. Muita gente desistiu de ir à missa.

ANTONIO PITA, SÍLVIO BARSETTI, CLARISSA THOMÉ, NATALY COSTA E TIAGO ROGERO, Agência Estado

24 de julho de 2013 | 08h52

O problema começou por volta das 16h30. Só às 18h40 as estações começaram a ser reabertas, ainda com intervalos irregulares entre as viagens. O evento dessa terça, 23, era um ensaio para os dois principais, com a presença do pontífice - que reunirão um número ainda maior de pessoas -, na quinta, 25, e na sexta-feira, 26, também em Copacabana.

Antes que a concessionária MetrôRio esclarecesse o motivo do problema, a Light, companhia de energia elétrica do Rio, informou que não tinha "nada a ver com a ocorrência". Minutos depois, o MetrôRio informou que um cabo se rompeu na Estação Uruguaiana, por onde passam as linhas 1 e 2. A energia foi cortada "para que as equipes trabalhassem em segurança".

Segundo passageiros, foi possível ouvir uma pequena explosão (seguida por chamas), às 16h30 na Uruguaiana. Passageiros passaram mal dentro da estação - entre eles, uma grávida, que teve de ser socorrida por bombeiros - e formaram-se longas filas em busca da devolução do dinheiro. Revoltados, passageiros quebraram uma porta de vidro da sala de segurança.

Outras paradas também tiveram problemas. Na de Inhaúma, cerca de 50 argentinos ficaram 40 minutos dentro de um vagão. Na de Botafogo, a PM foi acionada para reforçar a segurança na saída da Rua Voluntários da Pátria, após um grupo tentar invadir a estação. Os passageiros teriam se revoltado porque queriam entrar, mas só o desembarque era permitido.

Moradora de Madureira, a vendedora Antônia Souza Silva, de 28 anos, passou 2h30 na frente da Estação Carioca. "Não tenho escolha. É esperar ou ir para casa a pé", disse. Às 17h30, o MetrôRio informou que todas as estações estavam fechadas.

O secretário de Transportes, Carlos Osório, afirmou que o plano de contingência foi acionado. "Determinamos que as empresas colocassem 100% da frota nas ruas. As cooperativas de táxi foram avisadas", disse.

Antes mesmo da pane no metrô, peregrinos que seguiam para a missa em Copacabana já enfrentavam problemas. Também na Estação Carioca, chegaram a esperar duas horas para validar o cartão do metrô, recebido no kit peregrino.

Dispersão

Houve tumulto ainda na dispersão da missa. Ônibus e metrô não deram conta e milhares de pessoas se aglomeraram principalmente na entrada da Estação Cardeal Arcoverde do Metrô, em Copacabana. A fila dava voltas pela praça.

A Rua Barata Ribeiro, na frente da estação de metrô, teve de ser interditada às 21h20, por causa do grande público que tentava atravessar a via. O trânsito só voltou ao normal quase duas horas depois, às 23h10. "Os peregrinos estavam perdidos, sem informações sobre as estações de metrô e os pontos de ônibus", reclamou o estudante William Penha, de 18 anos, de São José (SC). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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