'Meu neto é visto como delinquente'

DEPOIMENTO

, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 00h00

 

Teresa, avó de Tiago, que cumpre medida de liberdade assistida (nomes fictícios)

 

Em junho do ano passado, meu neto de 12 anos cometeu uma infração. Disse que ia à casa da tia e saiu com amigos. Falaram que foi pego roubando um celular. Foi um horror. Vi meu neto três dias preso até ir para a Fundação Casa.

 

Como ele ia estudar na fundação, fui algumas vezes buscar a documentação dele no colégio Martins Pena, onde ele estudava no 6.º ano.

 

Nessas idas, percebi que a notícia havia se espalhado. Os amiguinhos me perguntavam: "Tia, o Tiago está preso?". Eu respondia que não, que tinha viajado.

 

Depois de 47 dias, o Tiago foi liberado. Em agosto, na volta para a escola, aconteceu o primeiro entrave: a diretora disse que ele ficaria como aluno ouvinte por falta de vaga. Concordamos, e ele frequentou as aulas até o fim.

 

Mas eu já percebia os constrangimentos. Com apenas 12 anos, ele estava marcado como delinquente. Em dezembro, a mãe dele fez a rematrícula. A surpresa aconteceu no primeiro dia de aula, em fevereiro.

 

Quando chegou, a diretora falou que o sistema havia feito a transferência compulsória dele para uma escola municipal. Cheguei até a ver o preço da perua para ele ir para a outra escola. Lá, a outra diretora me explicou que ele era aluno do Martins Pena.

 

Fui várias vezes de um lado para o outro durante um mês, até a diretora do Martins Pena dizer que colocaria ele novamente como aluno ouvinte.

 

No primeiro dia de aula, ele me ligou chorando dizendo que um professor o havia colocado para fora porque seu nome não estava na lista de chamada. Logo depois, a diretora convocou uma reunião e chamou meu neto de "aluno problemático". Desisti.

 

Ele acabou se mudando para a Praia Grande, onde está a mãe, e anteontem teve o primeiro dia de aula do ano. Minha filha conseguiu vaga sem contar sobre a liberdade assistida.

 

Veja também:

 

linkEscolas recusam alunos em liberdade assistida; promotoria vai investigar

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