Mexicana Mabe compra operação da alemã BSH no Brasil

A fabricante mexicana de eletrodomésticos Mabe anunciou nesta quarta-feira a compra das operações brasileiras da alemã BSH por 70 milhões de reais, numa operação que deixará a empresa na segunda posição em vendas no país, atrás apenas da norte-americana Whirlpool, que detém as marcas Brastemp e Consul.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

01 Julho 2009 | 17h52

O negócio converte as operações brasileiras da Mabe na mais importante do grupo, superando as do México. Com a compra da BSH, a Mabe do Brasil passa a representar 18 por cento do faturamento do grupo no mundo, que soma 4,5 bilhões de dólares.

A BSH controla no Brasil as marcas Continental e Bosch desde 1994 e detinha cerca de 9 por cento das vendas de eletrodomésticos do país. A empresa mexicana, por sua vez, tem cerca de 16 por cento de participação.

Com a compra, a Mabe passa a ter 25 por cento do mercado brasileiro de linha branca, composto por fogões, refrigeradores e lavadoras, superando a Electrolux, com 21 por cento. A Whirlpool tem 36,5 por cento.

"Não estamos pensando em chegar ao primeiro lugar. A guerra está mais em inovaçaão que no preço de produtos", disse o presidente-executivo da Mabe, Luis Berrondo. Segundo ele, o Brasil é a economia na América Latina que tem a melhor performance e as maiores oportunidades de crescimento, apesar do recuo sofrido no início deste ano.

"Nosso interesse era ser pelo menos o segundo lugar... A oportunidade da BSH Continental foi única".

Segundo a Mabe, a compra da BSH converte o grupo no maior fabricante de fogões do mundo, com produção anual de cerca de 7,8 milhões de unidades.

A Mabe comercializa no país produtos das marcas General Electric (GE) e Dako.

A operação da empresa alemã no Brasil envolve um complexo industrial em Hortolândia (SP) que possui uma fábrica de fogões, outra de refrigeradores e um centro de logística.

Cortes de empregos decorrentes de eventuais sobreposições geradas pela aquisição não foram divulgadas, mas a empresa também não descartou a possibilidade. "A gente vai, nos próximos dois meses, avaliar o programa de negócios, mas posso dizer que a aquisição vai gerar empregos", disse Patricio Mendizabal, presidente da Mabe para o Mercosul. Ele comentou que quando a companhia comprou a brasileira Dako em 2003, a empresa brasileira tinha 500 empregados e atualmente essas operações possuem 1.300 funcionários.

A Mabe espera ter nos próximos 12 meses faturamento de 900 milhões de dólares no Brasil, ante receitas de 500 milhões de dólares em 2008, disse Mendizabal, comentando que no México o faturamento fica abaixo dos 900 milhões de dólares sem exportações.

Comentando o momento do anúncio da compra da BSH ocorrido dias após o governo ter prorrogado descontos sobre o imposto sobre produtos industrialzados, Berrondo brincou: "Goleiro sem sorte não é goleiro". Ele afirmou, porém, que a negociação durou cerca de seis meses.

A expectativa de investimento da Mabe no Brasil este ano era de cerca de 30 milhões de dólares, mas com a aquisição, "certamente esse investimento vai acompanhar o nosso crescimento", disse Mendizabal. No mundo, a Mabe investe cerca de 200 milhões de dólares por ano.

A Mabe continuará fabricando produtos das marcas Bosch e Continental em Hortolândia sob licença por um prazo limitado e também continuará distribuindo produtos importados da Bosch, segundo comunicado da BSH.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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