‘MGS4’ é visceral, intenso, cerebral e envolvente

A primeira coisa que se nota ao colocar o disco de Metal Gear Solid 4 (MGS4) no drive do PS3 é que, para algumas coisas boas na vida, é preciso paciência. O jogo obriga o ansioso jogador a amargar 8 minutos de tediosa instalação no HD do console. Depois dessa excruciante espera, o que se sucede é uma das melhores – senão a melhor – experiência interativa cinematográfica já oferecida por um game. MGS4 não pode ser definido como um simples joguinho, um passatempo digital. MGS4 está em um patamar tão alto que a mera comparação com outros jogos de guerra e espionagem é ofensiva. O jogo é visceral, intenso, cerebral e muito envolvente. O roteiro do jogo preenche várias lacunas deixadas pelos outros games da série. Os mistérios são desvendados, os segredos, devassados. Isso pode afastar os novos jogadores, mas é um prato cheio para quem acompanha a série. As reviravoltas são verdadeiros tapas na cara, ao melhor estilo de Kojima. Tudo com o humor, a inteligência e o saboroso exagero da série. Até falando, Snake pega pesado na impostação da voz, como todo herói que se preza. Uma coisa que me perturbou um pouco, ao mesmo tempo que mostra a força do jogo como meio de divulgação, é a presença de merchandising de produtos no jogo. Snake usa um iPod para ouvir música e os personagens usam telefones Sony-Ericsson. Não é muito diferente de quando um produto assim aparece em um filme, mas em um jogo, não me lembro de uma referência tão marcante. Os controles foram refinados em relação aos jogos anteriores. É fácil andar, se esconder e atirar. Mesmo o combate corpo-a-corpo, uma das fragilidades da série, foi repensado e está muito mais simples. O jogo é um dos primeiros a tirar proveito do Dual Shock 3, o controle vendido à parte que conta com vibração, atributo ausente no controle que vem junto com o PlayStation 3. O som do jogo, em Dolby Surround, é primoroso. Além de uma envolvente trilha sonora, os ruídos dos oponentes e a ambiência sonora do campo de batalha são de cair o queixo. Graficamente, o jogo dá um show. Mesmo com algumas pequenas imperfeições – como os prédios e paredes com visual quadriculado e as eventuais quedas na fluidez do movimento – MGS4 é o jogo mais bonito do PlayStation 3. O visual rivaliza até com os jogos mais belos do Xbox 360. Finalmente, quem comprou um PS3 vai poder justificar o investimento. O enorme videogame preto da Sony até então havia sido apenas uma promessa para o futuro. MGS4 é o presente, e por si só já vale o preço do console. Ficha técnica METAL GEAR SOLID 4 KONAMI PLATAFORMA | PlayStation 3 DISTRIBUIDORA | Synergex: (11) 4133.1313 PREÇO | R$ 230 (em média) DETALHES | O game, indicado para maiores de 18 anos, chega ao Brasil na sexta-feira

23 Junho 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.