Mianmar aceita 'todas' missões de ajuda a vítimas de ciclone

A junta militar birmanesa secomprometeu na sexta-feira a liberar o acesso de equipeshumanitárias ao delta do Irrawaddy, "independentemente de suanacionalidade", a fim de ajudar os sobreviventes do cicloneNargis, segundo funcionários da ONU. A concessão foi obtida pelo secretário-geral da ONU, BanKi-Moon, numa reunião de mais de duas horas com o general ThanShwe, chefe da junta militar, em Naypyidaw, a remota capitalconstruída pelos militares na selva de Mianmar. Desde o ciclone de 2 de maio, a atuação dos trabalhadoreshumanitários estrangeiros estava restrita a Yangon, antigacapital e maior cidade do país. Eles estavam proibidos de iremao delta do rio Irrawaddy entregar pessoalmente a ajuda aosmais necessitados. "O general disse não ver razão para isso, desde que sejamtrabalhadores genuinamente humanitários e que esteja claro oque eles vão fazer", disse um assessor de Ban. Aparentemente, a junta resistia à presença de estrangeirosno interior por temer as consequências políticas para omisterioso regime birmanês. Tal recusa provocou indignaçãomundial, a ponto de a França sugerir o uso da força parafornecer assistência às vítimas. Ban disse que o aeroporto de Yangon será usado como centrode distribuição da ajuda internacional, e que agora a operaçãopoderá finalmente deslanchar. Especialistas em desastres diziam que a recusa dos generaisem abrir as portas do país poderia levar à morte de milhares depessoas por fome e doenças no delta. O ciclone já deixou quase134 mil mortos e desaparecidos. A ONG World Vision, uma das poucas presentes em Yangon,disse que qualquer concessão da junta será bem-vinda, mesmo quelimitada. "Estamos cautelosamente otimistas. O importante é oacesso ao delta", disse um porta-voz da entidade em Bangcoc. Ban disse a jornalistas que o acompanham que Than Shwe está"adotando uma postura bastante flexível nessa questão". Os militares governam a antiga Birmânia há 46 anos. No anopassado, houve uma violenta repressão a manifestaçõespró-democracia promovidas por monges budistas. Os incidentesdesencadearam sanções ocidentais ao país. (Reportagem adicional de Ed Cropley e Rob Taylor emBangcoc)

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