Mianmar admite 15 mortes em protestos, diz relator da ONU

Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, governo admite que 15, e não dez, morreram.

BBC Brasil, BBC

16 de novembro de 2007 | 17h35

O relator especial da ONU sobre a situação de direitos humanos em Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou que o governo do país admitiu que 15 pessoas morreram durante a repressão militar aos protestos de setembro - cinco a mais do que admitia antes.Pinheiro encerrou nesta sexta-feira uma visita de cinco dias a Mianmar. A viagem faz parte de uma investigação da ONU para saber o número de mortos e detidos durante os protestos.O brasileiro afirma que não vai dar mais detalhes de suas investigações até a divulgação de seu relatório completo, dentro de duas semanas.A visita de Pinheiro ocorreu depois de duas viagens do enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, a Mianmar como parte de um esforço diplomático internacional para iniciar o diálogo entre os militares e a oposição no país.Esta é a primeira visita de Pinheiro a Mianmar desde 2003. Na quinta-feira, ele se reuniu com a ativista política Su Su Nway, presa dois dias antes, e com o jornalista Win Tin, preso há 18 anos. Os dois eram membros da Liga Nacional pela Democracia (NDL).Em Bangoc, na Tailândia, Pinheiro não deu detalhes a respeito das condições de saúde do prisioneiro de 78 anos, mas informou que ele tinha permissão para sair de sua cela apenas uma hora por dia.O relator também pediu que as autoridades permitissem o acesso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha aos prisioneiros políticos, o que não acontece há dois anos.Segundo o correspondente da BBC no Sudeste da Ásia, Jonathan Head, a eficácia da visita de Pinheiro foi limitada pelo fato de o relator passar a maior parte dos cinco dias reunido com ministros.As reuniões ocorreram na nova e distante capital Nay Pyi Taw e não em Yangun, onde ocorreram os piores episódios de violência.Pinheiro também pediu o fim da "cacofonia de vozes" a respeito da situação em Mianmar e acrescentou que é essencial para a resolução da crise que a comunidade internacional tenha uma opinião unificada.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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