Mianmar começa a desocupar acampamentos para vítimas de ciclone

A junta militar de Mianmarcomeçou a desocupar os acampamentos montados para recebervítimas do ciclone Nargis, aparentemente por temor de que setornassem assentamentos permanentes. "É melhor que se mudem para suas casas, onde estão maisestáveis", disse um funcionário público num acampamento onde aspessoas receberam ordens para sair até as 16h (6h30 emBrasília). "Aqui [as famílias] dependem de doações, que não sãoestáveis." Moradores e trabalhadores humanitários dizem que 39acampamentos estão sendo desocupados só nos arredores deKyauktan, 30 quilômetros ao sul de Yangon, maior cidadebirmanesa. Eles dizem que isso é parte de um plano geral dedesativação dos campos. "Sabíamos que em algum momento teríamos de ir, masesperávamos mais apoio", disse Kyaw Moe Thu, 21 anos, motoristade um triciclo-táxi, que foi expulso do seu acampamento juntocom cinco irmãos e irmãs, a mais nova de dois anos e meio. O grupo recebeu 20 bambus e algumas lonas parareconstruírem suas vidas no delta do rio Irrawaddy, onde apassagem do ciclone Nargis, no dia 2, deixou 134 mil mortos edesaparecidos. "Agora estamos frustrados. O governo havia prometido 30bambus. Disseram que receberíamos arroz todo mês, mas até agoranada." A ONU diz que menos de metade dos 2,4 milhões de afetadospelo ciclone receberam alguma forma de ajuda do governo e dasentidades humanitárias internacionais, cujo trabalho foidificultado pelo regime militar. Mas a ONU, que tem operações em vários pontos do delta doIrrawaddy, não confirma os rumores sobre desocupaçõesgeneralizadas. Em Bangcoc, uma porta-voz da entidade disse queexpulsar prematuramente os refugiados seria "completamenteinaceitável". Na véspera, a imprensa estatal birmanesa criticou governose ONGs do exterior por exigirem acesso humanitário ao delta,alegando que as vítimas podem "se virar sozinhas". "O povo do Irrawaddy pode sobreviver autonomamente, sem asbarras de chocolate doadas por países estrangeiros", disse ojornal Kyemon em editorial. A mídia local é rigidamente controlada pelo Exército, cujopensamento supostamente reflete. Até agora, o regime vinhadando sinais de que aceitaria a contragosto a ajudainternacional. Mas, uma semana depois de o general Than Shwe, chefe dajunta militar, prometer acesso para todos os trabalhadoreshumanitários, a burocracia continua emperrando os trabalhos,apesar de os últimos 45 vistos para a ONU terem sido aprovadosna quarta-feira. "É particularmente importante que a Cruz Vermelha e as ONGsinternacionais recebam acesso imediato, livre e desimpedido aodelta", disse Terje Skavdal, coordenador humanitário da ONU, emBangcoc. Segundo ele, a autorização para o acesso de funcionários aodelta está levando apenas dois dias, em vez de duas semanas,mas representantes de outras instituições continuam enfrentandodificuldades.

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