Mianmar dá início a anistia geral e liberta dissidentes

Mianmar libertou na quarta-feira um monge proeminente que liderou protestos de rua em 2007 e dezenas de outros "prisioneiros de consciência", à medida que o país, um dos mais reclusos do mundo, começa a se abrir após meio século de um duro regime autoritário.

AUNG HLA TUN, REUTERS

13 de outubro de 2011 | 10h01

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, falando à Reuters antes de Mianmar iniciar uma anistia geral para 6.359 detentos, incluindo presos políticos, disse considerar estimulantes os "sinais promissores" de reforma, mas que era muito cedo para anunciar medidas que Washington poderia tomar em resposta.

Estados Unidos, Europa e Austrália têm afirmado que a libertação de cerca de 2.100 presos políticos em Mianmar é essencial para que eles considerem retirar sanções que debilitaram o Estado e, ao longo dos anos, o colocaram mais perto da China.

"Estamos encorajados pelos passos que vemos o governo tomar... vamos aceitá-los como sendo a palavra deles", disse Hillary em uma entrevista em Washington, embora ela tenha acrescentado ser prematuro prever como os Estados Unidos poderiam responder.

"Mas nós queremos ver ações. E se eles vão libertar os presos políticos, isso seria um sinal muito positivo."

O dissidente mais proeminente libertado foi Shin Gambira, líder da Aliança de Monges Todos Birmaneses que teve papel de destaque nas marchas nas ruas em 2007, violentamente reprimidas pela junta militar. Ele tinha 27 anos quando foi sentenciado em 2007 a 68 anos de prisão.

Mianmar tem enfrentado pressão para mudanças em diversas frentes - da necessidade de encontrar alternativas à China diante do ressentimento popular de sua influência, até a crescente frustração no Sudeste Asiático sobre o isolamento de Mianmar à medida que a região se aproxima da adoção de uma comunidade asiática de estilo europeu em 2015.

Diplomatas afirmam que outros fatores fazem parte do desejo de mudança de Mianmar, incluindo a necessidade de assistência técnica do Banco Mundial e de outras instituições multilaterais que cortaram relações anos atrás em respostas às violações dos direitos humanos no país, onde cerca de 30 por cento da população vive na pobreza, segundo dados das Nações Unidas.

Até a metade da manhã, ao menos 50 prisioneiros políticos tinham sido libertados, de acordo com um grupo sediado na Tailândia que monitora detentos em Mianmar, a antiga Birmânia.

"Não está concluído", disse à Reuters Bo Kyi, secretário-adjunto da Associação de Assistência aos Presos Políticos (Birmânia).

Outro dissidente proeminente liberado foi Zarganar, conhecido apenas por esse nome e que foi preso em junho de 2008. Ele havia sido condenado a 59 anos em uma prisão remota após criticar publicamente os generais, então governantes de Mianmar, pela resposta lenta ao ciclone Nargis, que matou mais de 140 mil pessoas quando atingiu o delta do Irrawaddy, um mês antes.

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