Mianmar recebe ajuda e tem 1 milhão de desabrigados

Começa a chegar lentamente naquarta-feira a ajuda humanitária internacional a Mianmar, ondeo ciclone Nargis deixou cerca de 1 milhão de desabrigados ematou pelo menos 22,5 mil pessoas, cifra que ainda deve subir. A França sugeriu evocar uma regra das Nações Unidas quefala na "responsabilidade em proteger" as populações, o quepermitiria a entrega direta da ajuda ao país sem depender daaprovação do regime militar birmanês. O chanceler francês, Bernard Kouchner, disse naquarta-feira que a idéia está sendo discutida na sede da ONU emNova York e pode resultar numa resolução que obrigue o governolocal a aceitar a ajuda. A ONU estabeleceu em 2005 o conceito da "responsabilidadede proteger" os civis quando seus governos não podem ou nãoquerem fazê-lo, mesmo que a intervenção da comunidadeinternacional viole a soberania de um país. A TV Mianmar, principal fonte oficial de notícias sobredanos e vítimas, não atualizou os dados de terça-feira, quedavam conta de 22.464 mortos e 41.054 desaparecidos. O Nargisfoi o ciclone mais devastador na Ásia desde 1991, quando umatempestade matou 143 mil pessoas em Bangladesh. Richard Horsey, do Escritório de Coordenação de AssuntosHumanitários da ONU, disse à Reuters em Bangcoc que o número devítimas fatais ainda deve subir. "Com a maioria desses mortos boiando na água, dá para teruma idéia das condições que as equipes enfrentam no terreno. Éum enorme desafio logístico", disse Horsey. Especialistas em ajuda humanitária dizem que o regimemilitar da antiga Birmânia ainda não conseguiu se livrar da suatradicional desconfiança em relação aos países estrangeiros, epor isso o país permanece relativamente fechado à operaçãointernacional. Tailândia, China, Índia e Indonésia já estão entregandomantimentos e outros materiais, e os governos dos EUA e daAustrália pediram à junta militar birmanesa que aceite a suaassistência. Até mesmo equipes humanitárias da ONU ainda esperam vistospara entrar no país, cinco dias depois da passagem do Nargis,que tinha ventos de até 190 quilômetros por hora e provocou ummaremoto que arrastou a maioria das vítimas, especialmente nodelta do rio Irrawady. Também houve muitos danos em Yangon,antiga capital e maior cidade do país. Analistas políticos antevêem implicações duradouras dociclone para a junta militar, que é ainda mais temida e odiadapela população depois da repressão aos protestos por democracialiderados por monges budistas em setembro passado. Mianmar vivesob regime militar há 46 anos. Mas o premiê da Austrália, Kevin Rudd, disse que não é horade pensar nessas consequências. "Esqueçam a política. Esqueçama ditadura militar. Vamos simplesmente levar ajuda às pessoasque estão sofrendo e morrendo neste momento por causa da faltade apoio no terreno", afirmou ele a jornalistas em Perth. Funcionários da ONU disseram que pastilhas de purificaçãode água, cobertores plásticos, kits médicos, mosquiteiros ealimentos são as prioridades. "Estimamos que haja até 1 milhão de pessoas atualmenteprecisando de abrigo e assistência para salvar suas vidas",disse Horsey, acrescentando que há 5.000 quilômetros quadradossubmersos no delta. Um fotógrafo da Reuters a bordo de um avião militartailandês disse que dois cargueiros indianos e um chinêspousaram trazendo tendas e material de construção. (Reportagem adicional de Darren Schuettler e SukreeSukplang em Bangcoc e Michael Perry em Sydney)

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