Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Micos são levados do Rio para a Bahia

Tráfico havia tirado animais de seu hábitat

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h02

RIO - Para evitar um desequilíbrio ecológico, micos-leões-de-cara-dourada que vivem em áreas de Mata Atlântica de Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio, estão sendo capturados com armadilhas especiais, que não machucam, e transferidos para um de seus hábitats naturais, no município baiano de Belmonte. Já foram capturados 104 animais, de uma população estimada em cerca de 200 micos.

Ameaçados de extinção, os micos-leões-de-cara-dourada chegaram no Estado do Rio por meio do tráfico de animais. Os primeiros exemplares foram identificados na região em 2002, no Parque Estadual da Serra da Tiririca. A procriação desse grupo ameaça os micos-leões-dourados, que moram na mesma região, de onde são originários, e também correm risco de extinção. As duas espécies disputam os mesmos alimentos - frutos e insetos - e usam locais idênticos para dormir.

Por serem do mesmo gênero (Leontopithecus), os micos podem se acasalar, originando híbridos que potencialmente ocupariam a área e seriam uma nova ameaça ao mico-leão-dourado, por causa da competição direta e da introdução de novas doenças.

"Quando se fala em ameaça aos animais, sempre pensamos em desmatamento, queimadas, caçadores. Nesse caso, o risco se deve à presença de uma espécie parecida com a nativa, que não chegou voluntariamente à região, mas disputa os mesmos recursos. Se não tirarmos os micos-leões-de-cara-dourada desse ambiente, as duas espécies vão desaparecer", diz o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc.

O recolhimento dos micos, realizado pela ONG Instituto Pri-Matas, começou em junho de 2012. Por viverem em matas perto de concentrações urbanas, eles têm contato com lixo, animais domésticos e moradores, que chegam a alimentar os micos. Sujeitos a doenças de humanos, precisam ser submetidos a exames de saúde e a uma quarentena. Os micos passam 30 dias no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, do Instituto Estadual do Ambiente em Guapimirim, na Região Metropolitana, onde passam por exames antes de irem para a Bahia.

Os micos saudáveis são acomodados para o transporte (cada família em uma caixa) e levados de avião a Belmonte, onde ocupam uma área de Mata Atlântica protegida. Rádios-colares são instalados em alguns animais para monitoramento. Os gastos com exames e transporte são custeados por um grupo de empresas e instituições que participam do projeto.

Dos 104 animais capturados, 66 já foram levados para a Bahia, 17 estão fazendo exames e 21, em tratamento médico. O Instituto Pri-Matas avalia que até o fim do ano todos os animais devem ser capturados.

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